
A malta da empresa foi jogar paintball. Tipo evento de team-buildinh. Só homens, a maioria vestida a preceito. O cenário era numa antiga unidade fabril abandonada, muito semelhante a uma que já frequentei ali na zona de Belas, mas não a mesma. Era um sítio novo em que nunca tinha estado. Estavamos lá cerca de dez a quinze pessoas pra jogar. Havia um piso inferior amplo e cheio de caixotes, barris vazios e lixo variado; um piso superior com metade da área e com vista ampla para o de baixo. Também este cheio de detritos, lixo e material indecifrável.
Um dos meus colegas, estava vestido tipo um soldado de elite. Roupa escura, colete com acessórios, fato azul escuro por baixo. Botas, caneleiras, luvas, e arma auomática. Como ele me parecia bastante experiente em matar pessoas, achei por bem "colar-me". Andámos sempre em equipa, a correr de um lado para o outro. Inclusivé, ele sugeriu um atalho em que passámos pelas escada de um prédio. Era o prédio dos pais dele, e até deu tempo para conversar com a mãe dele. Tinha um filho no Iraque em missão militar. Muito rapidamente continuámos, e voltámos ao cenário do jogo. Nisto encontro o meu colega P. que não estava vestido a preceito, mas sim continuava com a camisa branca e gravata encarnada do trabalho. Como estava muito perto dele, optei por não disparar e disse "Estás morto". Pelo olhar dele de curiosidade, percebi que ele não conhecia a técnica de não-disparar-a-menos-de-5-metros-para-não-aleijar. Apressei-me a dizer "Então vou disparar...". Ele percebeu imediatamente para que servia a frase, e antes que eu premisse o gatilho, ele deu-se por morto.
Só faltava um membro da equipa inimiga. O N. que estava no andar de cima. Ficámos por ali a dar tiros, até lhe dei umas balas que tinha em excesso para equilibrar as probabilidades de jogo. Mas ele até mais do que eu.
No fim aborreci-me e preferi dar tiros nas caixas para gastar as bolas/balas.
Nunca fui atingido...

