sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Guerra e Paz.... e pilhagem


Ora bem, estávamos na época pré-segunda-guerra mundial. Eu vivia com os meus pais num belo apartamento num estúdio no último andar de um edifício com pinta nova-iorquina. Era um apartamento tão porreiro que permitia-me entrar tarde e a más horas em casa sem que ninguém desse por isso, bastando para tal, percorrer uns quantos telhados de prédios contíguos e entrar para o meu quarto através do terraço do prédio.
O Terraço do prédio estava muito bem decorado segundo os padrões dos dias de hoje, um belo sofá amarelo de jardim, num deck de madeira, com árvores pequenas e pedras bonitas: o conjunto completo. Por ser um terraço tão porreiro, a minha irmã e o namorado dela, e os dois filhos dela, iam frequentemente lá para cima passar o tempo, quando o tinham. Eu não gostava particularmente do namorado da minha irmã, porque era namorado da minha irmã, e os irmãos nunca gostam dos namorados das irmãs. Contudo era um tipo bacano.
Entretanto a segunda guerra estala. E eu embora não sendo alemão, fui recrutado por eles. Mas como não era alemão, não podia ser oficial. Então confinaram-me a moço de recados, em que neste caso o recado principal era: pilhar tudo o que eu encontrasse, e que fosse giro. Bombas, munições, mísseis, capacetes, espingardas, prata, ouro, colares, pulseiras, taças e outros artigos que encaixassem na categoria de "giro".
Andávamos de terra em terra na guerra. E eu sendo o lacaio de um oficial de patente superior, tinha de andar sempre atrás dele a pilhar tudo o que encontrava. Vasculhava as casas que já tinham sofrido com ataques de bombas ou de milícias, e frequentemente encontrava granadas, obuses e outros artigos de guerra que dariam uma bela colecção no futuro.
Para guardar todos estes artigos existia um armário de madeira grande, com portas envidraçadas, atrás das quais se podia vislumbrar toda a colecção que eu andava a angariar.
Terminada a guerra, eu tinha conseguido sair muito bem entre os pingos da chuva e tinha chegado vivo ao fim da guerra.
Para celebrar o fim da guerra, foi organizado um evento estilo "jogos sem fronteiras". Eu como estava cheio de energia e cheio de vontade de celebrar decidi participar nas provas de perícia e resistência.
Havia uma prova de natação em que decidi participar, vesti a touca e pus os óculos na cabeça. Estava junto a uma das paredes da piscina e numa das pistas do meio. Do lado esquerdo vi uma parede de escalada artificial, e havia 2 ou 3 pessoas a descerem a parede em rappel. Ao meu lado direito saltou uma concorrente para dentro de água. Tinha o cabelo solto e um fato de banho feminino preto justo. Era nada mais nada menos do que a Sandra Bullock. Foi aí que percebi que já tudo estava bem no mundo.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Passeio de mota

Andei a passear de mota.

Vinha de uma festa citadina. Era uma festa no alto de uma torre, tinha um bar, sofás, pessoas, bebidas. O sofá era de pele branco e as luzes era de tons azuis. Tudo muito giro.
A festa terminou e fomos embora: Eu e a minha namorada. Ainda a mota estava parada fui dar uma volta a pé até à esquina e voltei. E nesse período de tempo há um cromo qualquer que decide mandar-se do alto da torre e estatelar-se no chão. Ora a minha namorada viu tudo e contou-me o sucedido. Era um momento trágico, estava tudo sujo no chão. Provavelmente o senhor estava deprimido com o emprego, visto que ainda estava de fato escuro e gabardina clara - e já era tarde.
Fomos então embora, de mota. Percorremos uma avenida num sentido, e no fundo invertemos o sentido. Logo a seguir à inversão do sentido parámos num semáforo. Era uma daquelas avenidas com três sentidos para cada lado. Havia carros de gama familiar à nossa volta e não havia carros em frente. A iluminação era razoável e até dava para ver bem em frente.
Assim que ficou verde no semáforo acelerei para aproveitar a recta e o espaço vazio de carros. Assim que terminei a recta reparei que a minha namorada já não se encontrava sobre a mota - o que provocou algum pânico em mim a pensar que ela tinha caído em andamento e eu não tinha dado por nada.
No fim da avenida contornei uma rotunda e voltei rapidamente - curiosamente em contra mão, mas não havia proibição assinalada! - Não a vi pelo chão, o que representou algum alívio. Estava ela de pé ainda no semáforo na outra ponta da avenida. Aparentemente quando eu acelerei, ela estava distraída a olhar para o ar, não se segurou a mim, e no momento da aceleração, ficou no mesmo sítio, de pé.
Quando parei junto a ela, contou-me mais um momento trágico. Um tipo desvairado, aproveitou o sinal vermelho do semáforo, colocou-se em frente aos carros, e pessoas que por ali estavam, apontou uma pistola de pequeno calibre à cabeça, e pôs termo à vida, mas não sem antes dar uns gritos de desespero.
Ainda ali imaginei-me na pele dele, a viver todo o momento e aflição e a premir o gatilho, ameaçando ainda algumas pessoas que me tentavam demover.
Estava a ser uma noite jeitosa. Então fomos embora: para casa - desta vez os dois em cima da mota.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Condução Nocturna


Um dia destes fui ver um concerto à noite com uns amigos. Estava frio acima de muito. Na vinda para Lisboa ligou-se o aquecimento e eu no banco de trás adormeci que nem uma menina. Mais ou menos na altura em que adormeci estávamos a atravessar uma ponte qualquer ali na zona do Cartaxo. E poucos minutos depois abri os olhos e reparei que continuava a chover a cântaros, a estrada continuava a ter três vias, nós seguíamos na do meio, mas não havia qualquer iluminação senão aquela que vinha dos faróis do carro. Toda a gente tinha adormecido menos o condutor.
Neste momento o carro sai da faixa do meio em direcção à direita e constato que o condutor também tinha adormecido. E eu digo "oh!" em voz alta de modo a tentar acordar o piloto. Mas ele já estava para lá desse ponto. Então claramente que me restava apenas a opção de o tentar acordar de modo mais brusco. Então cheguei-me um pouco à frente e empurro o braço direito dele e digo "olha aí!!!!" como quem já antevê a pancada a alta velocidade no meio da chuva numa noite de inverno no meio de uma estrada escura e deserta.
Nesse momento o condutor diz-me qualquer coisa como: "O que é?". Aí realmente abro os olhos, largo o braço dele e vejo que estou na A1, iluminada, carros à volta, a chuviscar. Toda a gente acordou em pânico com os meus gritos de alerta. Percebo o que se passou e começo a rir sozinho enquanto exclamo "eh eh que cena lixada". O condutor ainda sem perceber o que se passou, e porque razão lhe abanei o braço com força enquanto gritava "olha aí!!!!" pensa que eu vi qualquer coisa na estrada de timbre perigoso à qual escapámos por pouco. Mas não... era só eu a sonhar. Foi um bom concerto.