terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Speed Fishing Boat



Estava eu sentado num porto de pesca. Aliás, uma doca. Os barcos de pesca entravam e saíam. Tinham todos os tamanhos comuns. Eu estava junto ao lado de terra, e no sítio onde eu estava sentado via-se um pontão de cimento, que protegia a doca da ondulação exterior.

Nunca tinha lá estado, e apenas fiquei ali sentado a ver os barcos passar. Como todas as docas de pesca o ambiente é um pouco sujo, cheira-se a peixe e a mar no ar. É um cheiro curioso e agradável, para quem gosta do mar.

Nisto entra um barco vermelho, de tamanho grande, pela doca a dentro. Curiosamente tinha o feitio de uma embarcação a vela, mas sem o mastro. Trabalhava a motor, que se ouvia ruidosamente. Estranhei imediatamente o facto deste barco estar menos mergulhado da água do que o que seria de esperar. Pensei que estivesse pouco carregado. O facto de ele deslizar muito à tona de água fazia com que oscilasse muito para os lados. Todo ele era vermelho. Um vermelho gasto pela água, pelo vento e pelo tempo. Não era um barco que estivesse muito cuidado. Parecia ser um barco de trabalho. Não se via ninguém no barco, no convés não havia nada, nem uma cabine para quem o comandasse.

Nisto o barco vermelho aumenta o barulho do motor. E com o barulho do motor, aumenta a velocidade. Aumentou a velocidade e aumentou as oscilações. Não fazia sentido que um barco daquele tamanho acelerasse à entrada da doca. Claramente se ia esbarrar contra o cimento mais tarde ou mais cedo. Não havia forma de travar a tempo.

Continuou a acelerar desmesuradamente. Tanto que se tornou instável. A pessoa que estava ao comando não podia estar bem da cabeça. Era um acto suicida, só podia.

Era um espectáculo de velocidade. Foi tanta que o barco levantou a parte da frente. Apanhou com o vento na frente e levantou todo ele da água. Já todo no ar, virou-se e caiu de lado na água.

Fantástico, pensei eu, como é que um madeiro daqueles consegue ter velocidade suficiente para levantar e cair. Que bela demonstração de acidente.

No entanto, não tardei a prestar auxílio. Fui até ao topo do barco vermelho, todo ele em madeira. Tinha uma abertura para o seu interior. Espreitei e vi um dos meus irmãos e os seus dois filhos. Os três lá dentro ainda desnorteados pelo acidente. Olhei em volta e vi a fornalha que alimentava o motor. Tinha na entrada um grande tronco de madeira. Tratava-se do outrora mastro do barco vermelho. Tinham-no usado para combustão do motor.

Explicou-me o meu irmão que o tinham usado por ser boa madeira. E tal forma era boa, que queimou de forma rápida e explosiva tendo dado ao motor aquela propulsão fantástica. Não deixei de ficar fascinado pelo bizarro da situação. Um motor a diesel alimentado por uma fornalha que ardia o antigo mastro principal.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Receita para viajar no tempo


Ora bem, eu estava numa feira de ciências. Fazia parte de uma das bancadas que demonstrava aos mais variados visitantes e curiosos, fenómenos engraçados da física. Embora fizesse parte da bancada não era o responsável. Havia um professor que de bata branca supervisionava todo o aparato.
Atrás da bancada havia uma parede com cortinados, e na abertura desses cortinados estava uma porta que ligava a uma divisão que tinha um lavatório e uma mesa. Penso que se tratava de um laboratório da escola em que nos encontrávamos.
Eu sabia de rumores de uma experiência que tinha permitido fazer viagens no tempo. Havia uma fórmula química que nos dava acesso a isso. Eu estava nesse laboratório a testar mistelas e a ver o que acontecia.
Numa das experiências misturei os seguintes elementos:
  • Zi, (embora estivesse mal rotulado,... significava Zircónio - Zr)
  • Zi6,
  • Uma rodela de limão,
  • Sumo de limão natural congelado.
Misturei tudo isto muito bem, e depositei num tubo de ensaio tapado com uma rolha de cortiça.

Entretanto, olhei pela janela e vi que estavam a chegar vários carros BMW todos pretos com vidros fumados, todos eles ficaram parados em sítios impróprios para estacionamento. Saíram de dentro dos veículos 3 ou 4 tipos altos, entroncados, de fato preto e camisa branco, cabelo curto e óculos escuros. Evidentemente que eu estava em apuros, só podiam ser tipos de uma agência governamental a tentar ter controlo sobre a minha experiência. De algum modo eles sabiam o que eu andava a tentar conseguir naquele laboratório escolar.

Juntamente com um amigo fugimos para a rua. Perseguidos pelos gorilas governamentais. Chegámos até uma daqueles rede de arame que era alta de mais para ser ultrapassada. Os perseguidores estavam já muito perto de nós. Não havia por onde fugir. O meu amigo então segurou o tubo de ensaio que eu tinha preparado anteriormente e arremessou-o contra ao chão. Tal qual um ninja a lançar bolas de fumo, do tubo de ensaio emanou uma mini-explosão azul. Tanto eu como o meu amigo desaparecemos naquele instante. A fórmula tinha funcionado.

Fomos parar a outro ponto no tempo, não muito distante. O suficiente para fugir ao governo. Eu agora tinha-me tornado num alvo a abater. Podia viajar no tempo. Memorizei a simples receita e não a escrevi em lado algum. A minha vida não mais seria a mesma daí em diante.