segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Gone in 60 seconds


Assaltaram-me a casa. Entrei em casa depois de um fim de semana passado fora, e percebi imediatamente que tinha sido assaltado. Estava tudo remexido, tecidos por todo o lado, livros, almofadas. Tudo fora do sítio habitual. O carro e a mota tinham desaparecido. Aproximei-me das escadas e vi estavam uns envelopes daqueles dos bancos empilhados com alguma ordem. examinei os envelopes: tratava-se dos planos discriminados de pagamento dos empréstimos da mota e do carro. Do carro faltavam ainda 12460 euros. E eu agora nem carro tinha. Da garagem levaram-me as pranchas.


Ainda sem reacção de pânico ou de tristeza, a minha mulher pediu-me para examinar " lá em cima". Lembrei-me imediatamente da bateria, e do quartinho que tão arduamente construí. Subi a correr: estava tudo partido. Serraram a minha construção pela horizontal. Levaram a lã de rocha, pensei eu, não estava em lado nenhum. Curiosamente aspiraram tudo, profissionais pela certa. A bateria tinha sido levada. Era preciso alguém ter muita paciência para arrumar a tralha toda e levar aquilo. Tinham tido tempo e o alarme não deve ter tocado. Isto era trabalho para demorar um fim de semana inteiro. Fiquei com os braços para baixo em sinal de desistência, só e parado a olhar para o cenário. E ainda tinha de pagar o carro...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Surf Biz


Estava no mês de Setembro. Na praia: com falésia, areia limpinha, mar azul, ondas bonitas. E estava também um senhor que me tinha ensinado a surfar, e que tem uma escola de surf. Ele tinha interessantemente ficado rico com as aulas de surf, o que achei algo bizarro dada a natureza do negócio. Falou-me que eu ainda tinha umas aulas q
ue lhe tinha pago há algum tempo atrás, e que tinha ido desfrutar. Perguntou-me se eu não queria lá ir. Eu respondi-lhe que já não fazia sentido, mas que se não houvesse problema poderia oferecer essas 2 ou 3 aulas a um amigo, e possivelmente até esse mesmo depois voltaria a comprar aulas para continuar a aprender.
Olhei para trás para ver alguém com uma longboard a rasgar uma onda limpinha e azul, enquanto ele me dizia que não havia problema, e se eu tinha alguém em mente. Lá pensei um pouco, olhei para a falésia, e lembrei-me do meu irmão mais velho, que até tinha pinta de quem gostaria de longboard.
Ele ficou extremamente interessado em conhecer o meu irmão mais velho. E foi aí que ele se descaiu e eu percebi o plano.
Ele tinha ficado mais abastado recentemente com as aulas de surf, e queria investir dinheiro num negócio com futuro. Uma vez que ele tinha tido conhecimento de que o meu irmão estava a lançar um negócio de caravelas para transportes de carga - ecológico, renovável, sustentável - ele quis desde logo fazer parte do negócio. A oferta das aulas era um embuste, fui-me embora.