domingo, 30 de novembro de 2008

Guantanamo Star Galactica Wars


Estive a acampar. Estava num terra tipo trás-os-montes em que as encostas são íngremes. E na inclinação das encostas aproveitam-se pequenos patamares para fazer cultivo, ou no nosso caso, para montar as tendas.
Éramos um grupo de escuteiros que ali estávamos com acampamento montado. Havia malta de todas as idades e feitios. Havia tendas de várias cores, embora sendo de noite, já bem escura não fosse possível distinguir bem os formatos e cores das tendas que estavam mais longe.
Eu estava no sopé da encosta onde o acampamento estava montado. Eu reparava que havia movimento de pessoas lá mais para cima, mas não conseguia distinguir com clareza o que se passava. Provavelmente estariam a preparar jantar. Cá em baixo havia uma mesa montada num tripé quadrangular. Não estava lá ninguém sentado. Por isso deduzi que fosse necessário também, cá em baixo, preparar o jantar.
Como não havia comida tratei de ir na vizinhança procurar por algo que desse para desenrascar a refeição.
Acontece que ali mesmo ao pé, havia um forte, um edifício com estatura prisional. À volta só se viam árvores a cerca de cem metros de distância das paredes exteriores deste forte. Estava iluminado de forma fraca por fora, mas via-se claridade branca que emanava do interior para o céu. A parede exterior era construída sem janelas, sem portas e com um ar de construção do deserto. Parecia ser parede de argila de cor amarelada. Ora ali provavelmente deveria haver comida. O que não havia era forma de entrar. Reparei que mais ao alto existiam uns buracos na parede suficientemente grandes para deixar que a água das chuvas corresse para o exterior, mas suficientemente pequeno para evitar que alguém ou algo entrasse.
No entanto eu surpreendi-me a mim mesmo ao dar um salto para este buraco e entrar como que se o meu corpo se deformasse de forma elástica. Consegui esticar-me o suficiente para que conseguisse inteiramente entrar para dentro do forte por um buraco de vinte centímetros quadrados. Fiquei surpreendido por três razões. Primeiro porque não era normal alguém conseguir saltar a uma altura de quatro metros. Depois porque mesmo saltando não era normal eu conseguir deformar o meu corpo de forma elástica e passar por um buraco de parede. E por último porque entendi qual era o objectivo deste forte. Era uma prisão. Uma prisão de cariz militar.
Este forte representava aquilo que seria o Guantanamo para aliens. Eu tinha conseguido entrar portanto numa prisão altamente segura com conteúdo altamente invulgar: presos intergalácticos.
Não me perdi com detalhes, e passei ao objectivo que me levava ali. A comida. Eu precisava de comida para mim e mais quatro que me aguardavam no acampamento. Felizmente o buraco da parede por onde tinha entrado dava para uma zona mais resguardada do forte, e por isso menos vigiada. Havia caixotes e contentores de várias formas. E eu esgueirei-me a rastejar de modo a passar camuflado até ao frigorífico que rapidamente consegui descobrir, no meio dos caixotes.
Era um frigorífico comum, branco, de tipo combinado. Aproveitei para tirar umas bebidas frescas, estava calor. E tirei um coelho já sem pele, pronto a ser posto na panela. Antevia-se um belo petisco.
Voltei pelo mesmo caminho, a rastejar, com as garrafas frescas numa mão e o coelho noutra. Passei pelo buraco da parede, saltei para o chão e corri de volta ao acampamento.
Já junto dos meus amigos, a fazer um brilharete com a história da aventura, lhes entreguei os mantimentos que tinha recolhido no forte. Sim senhor acharam piada à história, mas as bebidas frescas era poucas e teria de lá voltar para trazer mais duas garrafas de refrigerante.
Lá voltei a correr, pulei para o buraco, estiquei o corpo, entrei, rastejei, cheguei ao frigorífico, tirei duas garrafas, rastejei de novo, e... acendeu-se um foco de luz que iluminava os caixotes da zona onde eu estava. Vi um marine americano com farda de deserto e arma ao peito à procura da origem do barulho. Com não estava para apanhar um tiro, ou no limite ficar preso no forte junto dos outros esquisitóides, rapidamente voltei a sair pelo buraco e saltei para o chão.
Quando aterro no chão percebo que há sarilho, há montes de gente na zona entre a parede exterior do forte e as árvores. Marines, civis, malta diversa. E nisto eis que aterra uma belíssima nave interestelar com formato comprido e pontas arredondadas. Lembrava bastante a nave do startrek, mas mais sofisticada. Afastei-me da zona onde a nave iria aterrar, juntos às outras pessoas.
A nave aterrou perto de mim, e não era tão grande como aparentava. Quem a comandava era o Adama, do battlestar galactica.
Estava ele mesmo aos comandos desta nave, dentro de uma pequeníssima cúpula de vidro mesmo na ponta da nave. Existia uma segunda cúpula de vidro ainda mais na ponta, mas ninguém vinha lá dentro. E nesse momento olho para o lado e quem ali estava ombro a ombro comigo a olhar para o Adama era o XO Saul, também do battlestar galactica. O Adama convidou o Saul a ir dar uma voltinha na nave ao que ele prontamente aceitou. Eu preferia que ele me tivesse convidado a mim, mas compreendi, afinal eles já eram amigos há muitos anos. Fiquei ali a olhar, com os refrescos na mão.
Para complicar as coisas, no canto inferior direito do meu plano de visão apareceu uma janelinha do messenger que informava "Darth Vader has signed in to messenger" Inclusivamente antes do nick dele havia uma símbolozinho com o capacete do darth vader. Isto só podia significar sarilhos. Virei-me para o Adama e como quem sabe algo que os outros não sabem profetizei: Sinto um distúrbio na Força.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A noite em que quase vendi o blog...


Era noite de halloween e estavam uma série de pessoas numa casa grande estilo vivenda apenas com piso térreo. Esta casa tinha uma série de divisões todas cheias de gente divertida e sobretudo bêbeda. Lembro-me que pela quantidade de álcool que ali estava concentrada começámos a delinear estratégias de realização de actos parvos. Como por exemplo fazer bombinhas. No entanto uma rapariga vestida de preto, estilo gótica deprimida optou por sugerir emularmos uma cena ritual de sacrifício. Pareceu divertido, por isso toca a preparar a brincadeira.
Saímos pela porta da frente para o jardim. Havia uma zona grande verde de um dos lados da casa. Na parte da frente havia apenas um pouco de relva, plantas diversas e flores de jardim. Depois estava a vedação, o passeio da rua e a estrada principal. Na parte do jardim grande, havia perto de uma árvore uma mesa de cimento, parecida com aquelas que encontramos nos parques de piqueniques. A miúda gótica sacou de uma faca de abrir envelopes com o formato de um punhal e mostrou-mo. De repente a brincadeira já não me pareceu tão divertida e percebi que era uma questão de minutos até aquilo dar para o torto. Ela deve ter percebido que eu me queria raspar dali visto que alterou a sua atitude para um pouco mais autoritária. Quando ela andava à procura de uma vítima para ser imolada no ritual, eu olhei para o portão que dava para a estrada principal e saí.
Tanto quanto sei estávamos em França. Portanto decidi seguir a estrada principal durante cerca de 50 metros. Era de noite e estava escuro. Não havia pessoas na rua. Passou apenas um carro com luzes acesas.
Ao fim de 50 metros vi uma placa que anunciava "Benvindo ao Luxemburgo". O que veio mesmo a calhar porque assim, a miúda gótica não podia exigir que eu fosse repatriado de modo a completar o ritual, nem podia tão pouco atravessar a fronteira de modo a praticar um crime.
Mesmo do lado direito da rua, junto à placa de boas vindas ao Luxemburgo estava uma estalagem. Um edifício com 2 andares de estilo Holandês antigo. Telefonei aos meus amigos que estavam na festa e convidei-os a virem para a estalagem, onde estariam a salvo de góticas psicopatas.

Subi as escadas da estalagem. Os meus amigos já lá estavam junto à recepção. Éramos cerca de 10 e íamos facilmente encher todos os quartos; que estavam disponíveis.
Depois de fazermos o registo entrou um tipo na porta principal. A porta principal ficava no piso térreo e nós estávamos no cimo de umas escadinhas estreitas que subiam até à recepção. Ele trazia uma mala cor verde tropa com dimensões invulgares. Tinha cerca de dois metros de comprimento, meio metro de largura e trinta centímetros de profundidade. Não faço ideia do que estava lá dentro, mas era ligeiramente pesada e complicada de transportar. O tipo, que com aspecto de estrangeiro, pretendia dormir uma noite na estalagem, tentou obter um quarto. Já não havia quartos livres.
Como não havia sítio na estalagem para ele dormir, e já estava muito escuro lá fora para ir à procura de sítio para pernoitar, optei por sugerir que partilhássemos o meu quarto, uma vez que eu tinha um quarto de duas camas e eu era apenas uma pessoa. Ele amavelmente agradeceu e encaminhámo-nos para o quarto que era mesmo ao lado da recepção.
Lá colocou a mala enorme no chão do quarto. Eu entrei de seguida e observei as paredes que estava cheia fotos e quadro de pequena dimensão. Tinha um piano vertical encostado na parede da porta de cor castanha.
Falei com ele em inglês. Perguntei-lhe de onde é que ele era. Ele disse: sou Americano-British-Canadiano. Concerteza, pensei eu. Então e o que é que você anda por aqui a fazer? De facto estou aqui para falar consigo. Comigo? Sim. Eu sou escritor e Li o seu blog dos sonhos e quero propor-lhe a compra dos seus textos.
Embora a compra dos meu blog parecesse conferir-me alguma importância. Eram os meus sonhos. E se os vendesse como que iria estar a vender o meu subconsciente, não apenas a descrição dele. E perguntei-lhe: Então e não vai sequer ter o meu nome como autor dos sonhos? Não, estou de facto com bloqueio de escritor e tenho o meu editor à perna; Preciso que seja em meu nome, e em língua Canadiana.
Fiquei a ponderar na venda. Acordei antes de tomar uma decisão. Mas acho que não ia vender.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Escadas do Castigo

Pois é, hoje a minha empresa queria despedir-me. Mas como não o podem fazer sem indemnização, decidiram aplicar a conhecida técnica da "sala do castigo"(1). Só que era uma técnica diferente: Em vez de me arrumarem numa sala vazia, sem janelas, sem pc, sem trabalho e sem pessoas com quem conversar; colocaram-me a trabalhar junto à Administração da Empresa. O que à primeira vista parece uma promoção. Não era.
Tinham-me informado que eu ia trabalhar junto à Administração. E eu pensei "Bacano, último andar, vista para o rio, ar puro, ambiente calminho, muita luz, grande sorte a minha". Entrei no edifício de manhã. Passei pela bancada do recepcionista que ficava do lado esquerdo. Era um hall de entrada grande e alto, com cerca de 5 metros de altura. Forrado a mármore cinzento e branco. Havia muita gente de fato escuro e sapatos polidos a caminhar no hall. Alguns dirigiam-se ao elevador. O elevador tinha uma porta muito larga e mais alta do que o costume. Havia uma controle de autorizações à porta do elevador. Um mecanismo electrónico de verificação da autorização da pessoa para usar o elevador. Acontece que quando as portas do elevador se abriram e me dirigi para o controle electrónico de entrada, verifiquei que não tinha acesso garantido. Aí fez-se luz. Não era uma promoção, queriam despedir-me.
Acontece que a Administração trabalha no 12º Andar do edifício. E as escadas são muito compridas. Eles não se iam limitar a colocar-me num sítio sozinho. Ia ficar sozinho, junto à Administração (portanto não podia fazer macacada. ex: aviões de papel) e eles obrigar-me-iam a subir e descer o edifício o dia todo. O pior é que estava de fato: ia transpirar imenso... e isso dá mau aspecto no local de trabalho.




(1) Hoje em dia quando as empresas (as empresas com gestores de má qualidade) querem despedir alguém que se encontra efectivo, e não querem pagar uma indemnização. Tiram todo o trabalho a essa pessoa, por vezes o pc, e por vezes até os colocam numa sala sozinhos - a "sala do castigo". O objectivo é que essa pessoa, quando se fartar da situação, se despeça - sem direito a cheque chorudo. By the way, isto é ilegal. Basta chamar a inspecção do trabalho.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Heróis em tempo de Guerra


Estávamos em guerra. Devia ser uma guerra valente, porque estávamos a viver numa comunidade em grandes cavernas no subsolo da cidade. Na caverna onde eu vivia, éramos mais de duzentos. O ambiente era escuro e húmido e nalgumas paredes havia iluminação de cor amarelada, o que trazia ao de cimo a cor de tijolo das paredes. Eu dormia numa pequena cova mais elevada junto a uma das paredes. A minha parte era escura, e avistava-se a saída da caverna que ficava mais elevada e trazia alguma luz do dia.
Nas cavernas havia caminhos secretos e túneis que alguns utilizavam para fugir ou para entrar e sair sem serem notados. Eu não conhecia nenhum desses caminhos.
Quando a guerra terminou, saímos do subsolo e voltámos a reconstruir as nossas vidas. Eu fui viver com os meus pais numa casa que eles alugaram ali para os lados do Saldanha em Lisboa. Um dos meus irmão também. A casa era num piso térreo. Era um apartamento de estilo antigo e pé alto. E estava algo degradado, não sei se pela guerra, se pelos anos. Calhou-me o melhor quarto. Era um quarto enorme com televisão, cama bastante alta, e junto à cama uma banheira das antigas. Imaginei-me imediatamente a tomar banho nessa banheira, a apanhar com luz de todas as quatro enormes janelas do quarto, e a ver televisão. Especialmente depois de viver em cavernas, isto ia-me saber muito bem. O meu irmão tinha um quarto mais pequeno, mas ele não se importava. O dos meus pais, era noutra ponta da casa. Felizmente a casa era mais ou menos no mesmo sítio onde eu vivia antigamente, o que veio mesmo a calhar, porque assim não precisava de mudar o dístico de estacionamento da Emel. O que seria bastante aborrecido dada a burocracia envolvida. Também me lembrei que provavelmente o meu carro já não estaria estacionado no mesmo sítio em que estava antes da guerra estalar. Mas se estivesse, não seria multado. Tinha o dístico.
Fui passear pela rua, ver as ruínas na cidade. E voltei ao grande átrio, que outrora tinha sido um hospital, e que dava acesso às cavernas onde há pouco tempo tinha estado a viver. O átrio do hospital estava completamente liso e danificado. As janelas grandes que se erguiam no alto deixavam entrar luz através dos vidros partidos, e iluminavam toda a cor branca e verde das paredes. No meio do átrio encontrei um rolo de fita adesiva das que se usam em pinturas. Agarrei-a.
Soube nesse momento que não era apenas uma fita de pintura normal. Esta concedia desejos. Qualquer desejo. E eu desejei imediatamente um super poder. Queria ser super rápido ou super forte. Julgo que fiquei com uma mistura dos dois poderes. Cada um deles a metade da força.
Houve alguém que nesse momento me estava a espreitar. Era uma criança, mas não consegui perceber bem quem era. Deixei a fita no mesmo lugar. Não me competia mudá-la de sítio. Comecei imediatamente a tirar partido da minha nova capacidade. Andei para aqui e para ali sempre bastante rápido, com o vento a bater-me na cara.
Como em todas as coisas boas, há sempre mais alguém a querer ou a evitar que os outros possam ter. Neste caso: o Governo Português. Ora parece que alguém foi indicar ao senhor Presidente da República, Cavaco Silva, que andava por aí uma fonte de super poderes. O que levantou o interesse do Governo nesta nova tecnologia que podia perfeitamente ser usada caso a guerra voltasse. Ou pelo menos evitar que caísse nas mãos de inimigos.
Muito rapidamente tive grupos do exército à minha procura. E tive de correr, bem rápido. Felizmente eu conseguia, bem rápido. Acabei por me esconder numa estalagem bem rasca no meio de Lisboa, numa zona que eu não conheço. Era uma estalagem antiga, mas com ares de já ter sido bonita e nova em tempos. Muito bem decorada com ornamentos nos tectos e com uma bela escadaria de tapete vermelho (sujo). Aluguei um quarto junto do responsável que estava de pé atrás da bancada do lado direito. O quarto era num piso alto, provavelmente o último, e tinha vista para a grande casa onde o Cavaco Silva estava protegido pelo exército. Ficava essa no cimo de um monte com arame farpado à volta. Eu via tudo isto de uma janela pequena do último andar da estalagem. Como não tinha dinheiro aproveitei para fazer alguns biscates na estalagem. Os trabalhadores não queriam mudar uma lâmpada no tecto da entrada, porque já alguém tinha morrido a tentar fazer o arranjo. Senti que tinha sido culpa minha, por não o ter feito mais cedo. Poderia ter poupado a vida a alguém. Era uma lâmpada difícil de mudar porque estava bem no alto, e num canto. Ficava-se em desequilíbrio no cimo do escadote. Eu subi, mudei a lâmpada, e desequilibrei-me, vi a minha vida toda a passar num flash rápido, e no último momento dei um pulo do escadote para que a queda fosse terminar no tapete vermelho (sujo), em vez dos degraus onde outrora o trabalhador francês tinha caído. Caí no tapete, levantei-me e a restante equipa de trabalhadores (franceses) enquanto fumavam cigarros enrolados e me olhavam, falaram entre dentes a resmungar do meu acto. Não gostava particularmente de mim, pensavam que eu era americano: por causa da pose heróica. Aproveitei ainda nesse dia para consertar umas escadas velhas, que já tinha ouvido falar antigamente através de um colega de trabalho que já lá tinha estado.
Depois dos biscates terminados, voltei ao átrio do hospital velho. Estava sinistramente vazio. Voltei a aproximar-me da fita, porque queria mais experimentar pedir mais um poder, para poder voar, e mais facilmente fugir ao exército. Não sabia se a fita me poderia conceder vários desejos. Mas não perdia nada em experimentar.
Quando agarrei a fita e pedi o desejo, apareceu um militar de metralhadora a ordenar-me que ficasse quieto. Continuei agarrado à fita mas o desejo demorava um pouco a tornar-se realidade, até que me deram um pontapé na mão para me afastar do objecto. O militar agarrou a fita, pediu um poder e ficou super forte. Duas vezes mais forte do que eu. Ele percebeu imediatamente isso, porque largou a arma, o capacete e o casaco. Tinha o cabelo grisalho e curto, e queixo enorme. Avizinha-se uma bela cena de pancadaria, onde ele, duas vezes mais forte do que eu, iria assegurar que eu levava duas vezes mais porrada.
A cena de pancada foi curta. Ele deu-me um pontapé, eu voei ao encontro de uma parede e fiquei quieto no chão. Nisto, o Cavaco Silva entra ao fundo a observar a cena. Preparando-se para autorizar que o gorila dele terminasse o tratamento. Comentou que não podia deixar que anormais como eu andassem por aí exibindo capacidades contra natura. Eu não comentei. Limitei a usar a minha capacidade anti natura e corri dali para fora. Eles certamente não esperavam que eu conseguisse fugir dali. E fugi por um túnel que apareceu a meio caminho da fuga, um dos caminhos secretos das cavernas. Este caminho foi dar a salas antigas, e depois à rua.
Da estalagem avistava a casa da presidência. Fui tentar resolver a questão pelas próprias mãos, e corri muito rapidamente até ao arame farpado. Estava também a planear a mesma coisa um grupo de ciganos que estavam sentados junto ao arame farpado. Era impossível de entrar na casa. Um dos ciganos rapidamente me avisou "Ei, está um atirador furtivo a apontar para ti, do cimo daquele prédio.". Olhei apenas para confirmar. Era verdade, e isto confirmava também que o Presidente estava à espera que eu ali passasse. Estava montada uma cilada. Consegui correr antes da bala bater no chão de relva onde eu estava. Fugi. E consegui voar. Voei para cima. O poder tinha sido descarregado da fita para mim. Estava montada a minha saída estratégica. Não voltei mais a Lisboa.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Mudança de casa

Há umas semanas tive este:

Fui fazer uma viagem de carro mais a minha namorada. Tínhamos um carro branco tipo renault 5. Ia carregado com malas e cobertores no tejadilho. E deve ter sido uma viagem grande porque quando saímos do carro estávamos na Suécia.
O bairro onde estacionámos o carro parecia um bairro social português. Prédios claros todos iguais e ruas amplas e razoavelmente feias. Não havia jardins cuidados, nem jardins tão pouco, embora existissem nos passeios espaços designados para plantação de flores ou relva.
Na direita de um dos prédios que faziam esquina no fim de rua, estavam dois putos a jogar à bola. Estavam vestidos com fatos de treino cinzentos. Não nos ligaram muito.
Como estava a anoitecer (no céu já de si cinzento) disse à minha namorada: "Está a ficar de noite, não temos onde dormir, portanto é melhor irmos comprar uma casa."
Assim foi. Dirigimo-nos ao prédio que fazia esquina no fim de rua e batemos à porta. Esta porta tinha o aspecto de não ser uma porta de um prédio, mas pelo seu aspecto de madeira com um vidro no meio, e cortinados da parte de dentro, dava a sensação que se tratava do acesso principal para dentro do apartamento. Na porta e nas janelas existiam cartazes de uma imobiliária que anunciavam a venda deste imóvel. Enquanto esperava uma resposta do lado de dentro da porta, examinei os cartazes com algum desdém. Abriu um senhor de fato acastanhado (estilo anos 80) careca, branquinho e cabelo castanho escuro. Estava acompanhado por um colega. Eram os dois vendedores da imobiliária. Entrámos.
A porta da rua dava de facto para dentro de casa. Era a cozinha. Era pequena. Tinha um frigorífico ao canto e um fogão à esquerda e um balcão pequeno em frente. À direita estava uma abertura para o resto da casa. Pensei que era bom estar já mobilada e equipada, visto que não tínhamos trazido mobília no carro.
Passámos à divisão adjacente à cozinha. Era uma sala de estar, sem tv. Notava-se que era uma casa antiga e com pouco espaço. Mas para duas pessoas servia bem. Havia um sofá, tipo cama. junto à parede do lado esquerdo. Tinha mantas axadrezadas por cima. vermelhas e pretas. Pareceu um bocado aborrecida a questão das mantas visto que tenho algumas alergias ao pó. Continuámos e subimos para o andar de cima onde ficava o quarto. Quarto pequeno, mas a minha atenção ficou logo focada na janela. Pela janela eu via os putos que estavam a jogar à bola na rua. E da janela também via uma goteira que descia desde o alto do prédio e desembocava junto a este vidro do quarto. O que em dias de chuva iria fazer algum barulho de gotas. E disse: "Isto para os standards da Suécia é inaceitável. Isto vai fazer barulho de gotas.". Os vendedores, como bons suecos que são, tiveram de concordar e acrescentaram que de facto esse era o defeito da casa, e estavam com dificuldades na venda precisamente por esse facto. Viemos embora prometendo que íamos pensar no assunto e brevemente entregaríamos uma resposta.
Já na rua encontrei um amigo de infância, o Gilberto. Ora o Gilberto vivia na Suécia. O que se provou agradável visto que uma vez que estávamos a comprar casa na Suécia, não só seria uma ajuda para os primeiros tempos. Como é sempre agradável ter alguém conhecido numa terra distante. Fomos então para a praia, muito soalheira por sinal, e muito parecida com a Caparica junto à zona da praia do barbas. Excepto que a praia era mais ampla e bonita. Estavam uma ondas porreiras e fomos fazer surf. A minha Namorada já tinha ido à vida dela, na Suécia, o que quer que isso seja.
Nisto deflagra um fogo num apartamento dos prédios junto à praia. Ficámos a olhar e a observar o ritmo dos acontecimentos. Já estava maré vazia e havia muita gente a passear na areia ainda molhada e lisa. Olho para a direcção do mar e passa um insuflável de um pinto amarelo gigante a rebolar na areia sob a força do vento. Agarrei o pássaro insuflável, e como é óbvio tive de ir para dentro de água surfar umas ondas montando no bicho. Foi um fim de tarde bastante agradável, na Suécia.