
Tudo começou quando fui fazer um favor a um amigo meu que trabalha numa loja de instrumentos musicais. Fui substituí-lo durante uma horas enquanto ele tratava de assuntos da vida dele. Fiquei na secção das baterias. A loja estava razoavelmente populada de clientes, mas só um é que se dirigiu a mim. Trazia uma fender stratocaster branca e um pedal de efeitos, e procurava comprar um prato de bateria aonde ligar a guitarra. Tratava-se de uma opção completamente lógica, pelo que o deixei experimentar pratos à vontade para ele fazer um bom som de guitarra. Passado pouco tempo reapareceu o meu amigo e ficou a tomar conta da ocorrência.
Mas eu tinha onde estar: tinha um evento de empresa, daqueles onde se pode relaxar um pouco da semana de trabalho. Mas este tinha uma particularidade: era em Londres.
Fui para Londres, e à chegada, ao passar no controlo alfandegário. Era um controlo muito rudimentar. Parecia ser uma loja no centro da cidade, tipo agência de viagens, com duas mesas brancas onde dois agentes, um feminino, outro masculino, vistoriavam os documentos dos viajantes.
Apresentei o meu passaporte. Para meu espanto, não passava de uma folha em formato A4, dobrada em forma de panfleto, de cor amarela viva, e letras impressas a preto. Tinha os meus dados impressos, e vários carimbos pequenos com cores azul e vermelha.
A agente feminina, loira, de farda azul, examinou o meu passaporte. E claro está, havia uma irregularidade: o número do BI. Aparentemente o dígito de controlo não batia certo com o número de identificação, e mesmo o número de identificação esta com os algarismos desordenados como se alguma dislexia ali se tivesse passado.
Depois de lhe provar matematicamente que se ela ordenasse correctamente os número, o dígito de controlo bateria certo, então pude prosseguir viagem.
Passado algum tempo já me encontrava à beira rio, numa zona turística, onde se via uma igreja medieval, com o respectivo cemitério minúsculo, com pedras antigas e aspecto de ruínas. Desci umas escadas, que tinham uma carpete vermelha larga, em direcção ao rio. Estava acompanhado de um colega de trabalho. Ouvia-se muito bem o som da água do rio a bater na margem. Acontece que os ingleses tinha microfones a captar este som, e emitiam-no por colunas escondidas, de modo a criar um ambiente relaxado para os turistas.
Virámos à esquerda e fomos ter com os restantes colegas de trabalho. No entanto tratava-se de um evento de uma outra empresa onde eu já tinha trabalhado anteriormente. Cumprimentei os meus colegas, que não pareciam muito interessados em conversar comigo, visto já não ser colega deles. No entanto aproveitei e bebi um gin tónico, ou dois, e raspei-me dali para fora.
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