Nesta ocasião eu morava num apartamento qualquer numa torre citadina. E quando me mudei para esse apartamento eu tinha pintado o exterior do prédio, na fachada em que a sala tinha janela. Eu morava num andar bem alto, e para as pinturas tinha sido necessário erguer andaimes para a pintura. No entanto eu já lá morava há um ano e nunca tinha tirado os andaimes.
Acontece que de vez em quando eu ia sentar-me no andaime, que ficava mesmo na janela da sala e punha-me a jogar playstation daí, embora virado para a rua. Não via ecrã nenhum, mas tinha o comando das mãos.
O meu cão um dia que estava a passear na rua viu-me lá em cima e subiu até mim pelas escadas do andaime. Como estava cansado, adormeci enquanto ele subia. Poucos minutos depois acordei com as típicas lambidelas caninas no rosto, e pensei imediatamente: "o cão não pode estar aqui, não é permitido.". Reprimi o acto do cão, mas como podia ser perigoso ele descer pelos andaimes (visto que é um cão), agarrei-o e a muito custo, mandei-o para dentro da sala, através da janela.
Depois fiquei uns segundos a olhar "lá para baixo", e pensei : "adormecer aqui não deve ser lá muito seguro, não devia jogar playstation aqui sentado".
Alguns dias depois, num dia bastante chuvoso, e estava a andar de carro pela vila onde os meus pais vivem. Tinha comigo um dos meus sobrinhos. Os vidros do carro estavam bastante embaciados e com a chuva não via praticamente nada. Eis que um sujeito aparece de entre os carros e lhe bato ligeiramente com o pára-brisas na cabeça. Obviamente que parei e pedi desculpas, mas ele estava mais interessado em me aplicar uma valente sova. Então pus o pé no acelerador e disparei dali para fora. Ele tinha uma pickup preta que muito rapidamente se colocou no meu encalçe. Tentei despistá-lo e fugi até à rua dos meus pais. Mas ele seguiu-me o caminho todo. Saí do carro e vi um tipo com cabelo descolorado e tatuagens coloridas nos braços à janela de um segundo andar. O tipo que eu tinha ligeiramente atropelado era parecido com este da janela, foi então que reparei que o atropelado era o actor Simon Pegg, que vendia churros e farturas ali perto. Aliás ele estava ainda com um barrete branco atado à cabeça.
O Simon ainda vinha com a vontade de me deixar ali bem esmurrado, mas para minha surpresa o tipo que estava à janela conhecia o meu pai e assegurou o Simon que eu era boa pessoa. Pedi mais uma vez desculpas pelo incidente e aparentemente tudo estava bem. Quando abri o porta bagagens do meu carro estava lá uma matrícula de carro agarrada a meio pára-choques. Não percebi o que era, visto que nem era meu. O Simon disse "trata de fazer com que isso desapareça, e não terás problemas comigo". Pareceu-me um negócio justo. Afinal de contas era só deixar aquilo num contentor de lixo qualquer.
Cada um seguiu seu caminho.
Passados alguns dias, numa situação em que estava a sair de um Hospital, a propósito de uma visita a alguém conhecido, num corredor do andar em que tinha ido fazer a visita, havia uma patamar para os elevadores. Dois Elevadores lado a lado, portas verdes dos anos oitenta, chão de mosaicos de cor avermelhada, e sem qualquer luz no tecto a iluminar essa zona.
Carreguei no botão para chamar o elevador. Esperei um momento a olhar para as portas. O ambiente era escuro, e a única luminosidade que havia vinha de um corredor próximo. O elevador que apareceu primeiro foi o da esquerda. Abri a porta e vejo lá dentro dois pneus, molas de suspensão e outras peças de carro. Muito rapidamente percebi que eram peças do meu carro, alguém o tinha desmantelado com um sadismo supremo. Vi que à porta dos elevadores já estavam outras peças espalhadas, reparei especialmente numa bateria de carro da marca "deWalt". Associei o acto imediatamente ao Simon. Tinha sido ele que tinha feito isto como vingança pelo atropelamento. Peguei numa das rodas que estava no elevador e arremessei com força para o chão, deixando-a a saltitar.
Subitamente havia cada vez mais peças espalhadas pelo chão. Vi um bilhete colado aos botões do elevador, era um desenho de uma criança, com o aspecto tosco e simples dos desenhos que eu fazia quando tinha 4 ou 5 anos. Reparei que tinha uma mensagem escrita a caneta, nas costas do desenho, escrita pelo Simon: "Pensavas que era só pedir desculpa e ficavas livre, pois fica sabendo que não levaste na tromba, mas vais pagar de uma maneira muito pior, com medo. Vais ter medo de tudo o que fizeres, sempre a pensar que eu vou estar por perto. Vais ter medo de abrir elevadores e portas." De facto estava a funcionar, fiquei aterrorizado. Só me lembrei das situações dos filmes em que as pessoas são aterrorizadas por um psycho qualquer, que só descansa quando morre. Continuei a ler: "Passei em tua casa, e vi o teu cão. Muito giro, especialmente quando o deixei a sangrar no chão como um porco." Aí parei de ler, e decidi que tinha de tratar do assunto tal como nos filmes. Tinha o coração a bater muito rapidamente e com um misto de muita tristeza e a sentir um mau karma.
Acordei: igualmente acelerado, com suores, com aquela sensação de "hoje até vou gostar de ir trabalhar".
Acontece que de vez em quando eu ia sentar-me no andaime, que ficava mesmo na janela da sala e punha-me a jogar playstation daí, embora virado para a rua. Não via ecrã nenhum, mas tinha o comando das mãos.
O meu cão um dia que estava a passear na rua viu-me lá em cima e subiu até mim pelas escadas do andaime. Como estava cansado, adormeci enquanto ele subia. Poucos minutos depois acordei com as típicas lambidelas caninas no rosto, e pensei imediatamente: "o cão não pode estar aqui, não é permitido.". Reprimi o acto do cão, mas como podia ser perigoso ele descer pelos andaimes (visto que é um cão), agarrei-o e a muito custo, mandei-o para dentro da sala, através da janela.
Depois fiquei uns segundos a olhar "lá para baixo", e pensei : "adormecer aqui não deve ser lá muito seguro, não devia jogar playstation aqui sentado".
Alguns dias depois, num dia bastante chuvoso, e estava a andar de carro pela vila onde os meus pais vivem. Tinha comigo um dos meus sobrinhos. Os vidros do carro estavam bastante embaciados e com a chuva não via praticamente nada. Eis que um sujeito aparece de entre os carros e lhe bato ligeiramente com o pára-brisas na cabeça. Obviamente que parei e pedi desculpas, mas ele estava mais interessado em me aplicar uma valente sova. Então pus o pé no acelerador e disparei dali para fora. Ele tinha uma pickup preta que muito rapidamente se colocou no meu encalçe. Tentei despistá-lo e fugi até à rua dos meus pais. Mas ele seguiu-me o caminho todo. Saí do carro e vi um tipo com cabelo descolorado e tatuagens coloridas nos braços à janela de um segundo andar. O tipo que eu tinha ligeiramente atropelado era parecido com este da janela, foi então que reparei que o atropelado era o actor Simon Pegg, que vendia churros e farturas ali perto. Aliás ele estava ainda com um barrete branco atado à cabeça.
O Simon ainda vinha com a vontade de me deixar ali bem esmurrado, mas para minha surpresa o tipo que estava à janela conhecia o meu pai e assegurou o Simon que eu era boa pessoa. Pedi mais uma vez desculpas pelo incidente e aparentemente tudo estava bem. Quando abri o porta bagagens do meu carro estava lá uma matrícula de carro agarrada a meio pára-choques. Não percebi o que era, visto que nem era meu. O Simon disse "trata de fazer com que isso desapareça, e não terás problemas comigo". Pareceu-me um negócio justo. Afinal de contas era só deixar aquilo num contentor de lixo qualquer.
Cada um seguiu seu caminho.
Passados alguns dias, numa situação em que estava a sair de um Hospital, a propósito de uma visita a alguém conhecido, num corredor do andar em que tinha ido fazer a visita, havia uma patamar para os elevadores. Dois Elevadores lado a lado, portas verdes dos anos oitenta, chão de mosaicos de cor avermelhada, e sem qualquer luz no tecto a iluminar essa zona.
Carreguei no botão para chamar o elevador. Esperei um momento a olhar para as portas. O ambiente era escuro, e a única luminosidade que havia vinha de um corredor próximo. O elevador que apareceu primeiro foi o da esquerda. Abri a porta e vejo lá dentro dois pneus, molas de suspensão e outras peças de carro. Muito rapidamente percebi que eram peças do meu carro, alguém o tinha desmantelado com um sadismo supremo. Vi que à porta dos elevadores já estavam outras peças espalhadas, reparei especialmente numa bateria de carro da marca "deWalt". Associei o acto imediatamente ao Simon. Tinha sido ele que tinha feito isto como vingança pelo atropelamento. Peguei numa das rodas que estava no elevador e arremessei com força para o chão, deixando-a a saltitar.
Subitamente havia cada vez mais peças espalhadas pelo chão. Vi um bilhete colado aos botões do elevador, era um desenho de uma criança, com o aspecto tosco e simples dos desenhos que eu fazia quando tinha 4 ou 5 anos. Reparei que tinha uma mensagem escrita a caneta, nas costas do desenho, escrita pelo Simon: "Pensavas que era só pedir desculpa e ficavas livre, pois fica sabendo que não levaste na tromba, mas vais pagar de uma maneira muito pior, com medo. Vais ter medo de tudo o que fizeres, sempre a pensar que eu vou estar por perto. Vais ter medo de abrir elevadores e portas." De facto estava a funcionar, fiquei aterrorizado. Só me lembrei das situações dos filmes em que as pessoas são aterrorizadas por um psycho qualquer, que só descansa quando morre. Continuei a ler: "Passei em tua casa, e vi o teu cão. Muito giro, especialmente quando o deixei a sangrar no chão como um porco." Aí parei de ler, e decidi que tinha de tratar do assunto tal como nos filmes. Tinha o coração a bater muito rapidamente e com um misto de muita tristeza e a sentir um mau karma.
Acordei: igualmente acelerado, com suores, com aquela sensação de "hoje até vou gostar de ir trabalhar".

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