quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Evento de empresa




Tudo começou quando fui fazer um favor a um amigo meu que trabalha numa loja de instrumentos musicais. Fui substituí-lo durante uma horas enquanto ele tratava de assuntos da vida dele. Fiquei na secção das baterias. A loja estava razoavelmente populada de clientes, mas só um é que se dirigiu a mim. Trazia uma fender stratocaster branca e um pedal de efeitos, e procurava comprar um prato de bateria aonde ligar a guitarra. Tratava-se de uma opção completamente lógica, pelo que o deixei experimentar pratos à vontade para ele fazer um bom som de guitarra. Passado pouco tempo reapareceu o meu amigo e ficou a tomar conta da ocorrência.
Mas eu tinha onde estar: tinha um evento de empresa, daqueles onde se pode relaxar um pouco da semana de trabalho. Mas este tinha uma particularidade: era em Londres.
Fui para Londres, e à chegada, ao passar no controlo alfandegário. Era um controlo muito rudimentar. Parecia ser uma loja no centro da cidade, tipo agência de viagens, com duas mesas brancas onde dois agentes, um feminino, outro masculino, vistoriavam os documentos dos viajantes.
Apresentei o meu passaporte. Para meu espanto, não passava de uma folha em formato A4, dobrada em forma de panfleto, de cor amarela viva, e letras impressas a preto. Tinha os meus dados impressos, e vários carimbos pequenos com cores azul e vermelha.
A agente feminina, loira, de farda azul, examinou o meu passaporte. E claro está, havia uma irregularidade: o número do BI. Aparentemente o dígito de controlo não batia certo com o número de identificação, e mesmo o número de identificação esta com os algarismos desordenados como se alguma dislexia ali se tivesse passado.
Depois de lhe provar matematicamente que se ela ordenasse correctamente os número, o dígito de controlo bateria certo, então pude prosseguir viagem.

Passado algum tempo já me encontrava à beira rio, numa zona turística, onde se via uma igreja medieval, com o respectivo cemitério minúsculo, com pedras antigas e aspecto de ruínas. Desci umas escadas, que tinham uma carpete vermelha larga, em direcção ao rio. Estava acompanhado de um colega de trabalho. Ouvia-se muito bem o som da água do rio a bater na margem. Acontece que os ingleses tinha microfones a captar este som, e emitiam-no por colunas escondidas, de modo a criar um ambiente relaxado para os turistas.
Virámos à esquerda e fomos ter com os restantes colegas de trabalho. No entanto tratava-se de um evento de uma outra empresa onde eu já tinha trabalhado anteriormente. Cumprimentei os meus colegas, que não pareciam muito interessados em conversar comigo, visto já não ser colega deles. No entanto aproveitei e bebi um gin tónico, ou dois, e raspei-me dali para fora.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Treino canino


Nós vivíamos numa zona litoral, com pinta de vila piscatória. As casas têm manchas de ferrugem na pintura exterior, a maior parte não tem mais do que um ou dois andares, e quase todas pintadas de branco sujo. Nos sítios onde não há casas construídas, há partes de terreno com arbustos baixos e algum entulho que já tem aspecto de ter sido despejado há alguns anos.
Tínhamos um problema nas mãos, que era o facto de querermos ir de férias, e precisarmos de um sítio para deixar o cão. O meu cão é um boxer, grande, e eléctrico tipo coelhinho da Duracell, significando isto que não o posso deixar em qualquer lado, correndo o risco de despesas. Mas como temos estado a investir no treino do animal já nos parecia mais acessível deixá-lo com alguém. Procurámos entre sítios e pessoas conhecidas, e o que na altura nos pareceu mais óbvio e seguro... era deixá-lo a viver num bar durante uma semana.
Fomos visitar o bar em questão. A entrada era num piso superior e não sendo grande tinha umas arcadas, com vista para um desses terrenos baldios. As portas eram de madeira escura e gasta da humidade do tempo, e abriam para dentro, onde se via um hall com um bengaleiro, paredes brancas, e tijoleira laranja no chão. Em frente desciam as escadas para o bar propriamente dito, onde se ajuntavam pouffs, sofás, mesas baixas, colunas cilíndricas de alto a baixo, e alguns espelhos espalhados pela sala. Parecia ser um bar que era muito estimado desde o fim dos anos oitenta. O Dono era um senhor muito simpático, algo gordito, na casa dos quarenta, e já careca, disfarçava-o rapando o cabelo bem curtinho.
Falámos sobre o assunto do cão: ele não estava muito seguro da ideia de ficar com o bicho durante uma semana, especialmente sendo este bastante "mexido". Assegurei-lhe que o bicho já estava mais calminho e obediente prontifiquei-me para fazer uma pequena demonstração. A demonstração consistiria em arremessar um objecto meu para o terreno que estava adjacente ao edifício do bar, e o cão iria procurar esse objecto e trazê-lo a mim.
Assim o fiz, atirei algo para o meio dos arbustos. O meu bicho muito rapidamente se dirigiu ao terreno cheirando tudo o que via. Passado alguns segundos encontrou o objectivo. Trouxe-o a mim e recompensei-o com comida.
O dono do bar não me pareceu muito impressionado. Achei que precisávamos de ensinar algo ao cão que lhe fosse útil. Daí que durante uns dias treinámos o animal para: fazer pizza! A pizza seria sempre a mesma, para não complicar. Ele só tinha de fazer massa, espalhar uns pedaços de queijo parmesão e completar com rúcula. O cão ficou bastante motivado com a actividade, tanto que até passou a usar um chapéu de cozinha.
Como é óbvio, o meu bicho arranjou lugar no bar, durante uma semana... a fazer pizzas.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Gone in 60 seconds


Assaltaram-me a casa. Entrei em casa depois de um fim de semana passado fora, e percebi imediatamente que tinha sido assaltado. Estava tudo remexido, tecidos por todo o lado, livros, almofadas. Tudo fora do sítio habitual. O carro e a mota tinham desaparecido. Aproximei-me das escadas e vi estavam uns envelopes daqueles dos bancos empilhados com alguma ordem. examinei os envelopes: tratava-se dos planos discriminados de pagamento dos empréstimos da mota e do carro. Do carro faltavam ainda 12460 euros. E eu agora nem carro tinha. Da garagem levaram-me as pranchas.


Ainda sem reacção de pânico ou de tristeza, a minha mulher pediu-me para examinar " lá em cima". Lembrei-me imediatamente da bateria, e do quartinho que tão arduamente construí. Subi a correr: estava tudo partido. Serraram a minha construção pela horizontal. Levaram a lã de rocha, pensei eu, não estava em lado nenhum. Curiosamente aspiraram tudo, profissionais pela certa. A bateria tinha sido levada. Era preciso alguém ter muita paciência para arrumar a tralha toda e levar aquilo. Tinham tido tempo e o alarme não deve ter tocado. Isto era trabalho para demorar um fim de semana inteiro. Fiquei com os braços para baixo em sinal de desistência, só e parado a olhar para o cenário. E ainda tinha de pagar o carro...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Surf Biz


Estava no mês de Setembro. Na praia: com falésia, areia limpinha, mar azul, ondas bonitas. E estava também um senhor que me tinha ensinado a surfar, e que tem uma escola de surf. Ele tinha interessantemente ficado rico com as aulas de surf, o que achei algo bizarro dada a natureza do negócio. Falou-me que eu ainda tinha umas aulas q
ue lhe tinha pago há algum tempo atrás, e que tinha ido desfrutar. Perguntou-me se eu não queria lá ir. Eu respondi-lhe que já não fazia sentido, mas que se não houvesse problema poderia oferecer essas 2 ou 3 aulas a um amigo, e possivelmente até esse mesmo depois voltaria a comprar aulas para continuar a aprender.
Olhei para trás para ver alguém com uma longboard a rasgar uma onda limpinha e azul, enquanto ele me dizia que não havia problema, e se eu tinha alguém em mente. Lá pensei um pouco, olhei para a falésia, e lembrei-me do meu irmão mais velho, que até tinha pinta de quem gostaria de longboard.
Ele ficou extremamente interessado em conhecer o meu irmão mais velho. E foi aí que ele se descaiu e eu percebi o plano.
Ele tinha ficado mais abastado recentemente com as aulas de surf, e queria investir dinheiro num negócio com futuro. Uma vez que ele tinha tido conhecimento de que o meu irmão estava a lançar um negócio de caravelas para transportes de carga - ecológico, renovável, sustentável - ele quis desde logo fazer parte do negócio. A oferta das aulas era um embuste, fui-me embora.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Company paintball


A malta da empresa foi jogar paintball. Tipo evento de team-buildinh. Só homens, a maioria vestida a preceito. O cenário era numa antiga unidade fabril abandonada, muito semelhante a uma que já frequentei ali na zona de Belas, mas não a mesma. Era um sítio novo em que nunca tinha estado. Estavamos lá cerca de dez a quinze pessoas pra jogar. Havia um piso inferior amplo e cheio de caixotes, barris vazios e lixo variado; um piso superior com metade da área e com vista ampla para o de baixo. Também este cheio de detritos, lixo e material indecifrável.

Um dos meus colegas, estava vestido tipo um soldado de elite. Roupa escura, colete com acessórios, fato azul escuro por baixo. Botas, caneleiras, luvas, e arma auomática. Como ele me parecia bastante experiente em matar pessoas, achei por bem "colar-me". Andámos sempre em equipa, a correr de um lado para o outro. Inclusivé, ele sugeriu um atalho em que passámos pelas escada de um prédio. Era o prédio dos pais dele, e até deu tempo para conversar com a mãe dele. Tinha um filho no Iraque em missão militar. Muito rapidamente continuámos, e voltámos ao cenário do jogo. Nisto encontro o meu colega P. que não estava vestido a preceito, mas sim continuava com a camisa branca e gravata encarnada do trabalho. Como estava muito perto dele, optei por não disparar e disse "Estás morto". Pelo olhar dele de curiosidade, percebi que ele não conhecia a técnica de não-disparar-a-menos-de-5-metros-para-não-aleijar. Apressei-me a dizer "Então vou disparar...". Ele percebeu imediatamente para que servia a frase, e antes que eu premisse o gatilho, ele deu-se por morto.

Só faltava um membro da equipa inimiga. O N. que estava no andar de cima. Ficámos por ali a dar tiros, até lhe dei umas balas que tinha em excesso para equilibrar as probabilidades de jogo. Mas ele até mais do que eu.

No fim aborreci-me e preferi dar tiros nas caixas para gastar as bolas/balas.

Nunca fui atingido...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Hungry Geek

Hoje estava a programar alegremente, quando me deu a fome. E eis que descobri por acidente como pedir uma sande. Mas não uma sande qualquer - uma sande de Açor.
Então para isso é só uma questão de programar a seguinte linha de código:
Acores sande = new Acores();


Como estava cheio de fome, decidi repetir a proeza, e continuou a resultar.

Scouting


Convidaram-me para ir a um acampamento de escuteiros ter com amigos meus. Amigos que foram meus colegas de escutismo na infância. Eu gosto por natureza dos acampamentos. Fiquei obviamente ansioso com a ideia. Mas a ideia tomou proporções mais sérias visto que voltei a vestir a farda de escuteiro. Então fui com o meu irmão (que também já tinha sido), ambos fardados. Tal como se tivessemos sido readmitidos ao movimento. Chegámos ao local, que era numa ladeira de terra, perto de uma casa já um pouco antiga. O cenário tinha pinta de aldeia do norte de Portugal. Havia imensas caras novas, que eu não conhecia e que obviamente também não me conheciam. Esperava ter tido uma recepção mais entusiástica, mas até percebo porque não. Afinal de contas ninguém se lembrava de mim.
Dirigi-me à parte de cima da ladeira, perto das tendas. Vi uma amiga dos tempos de infância e ela sim fez-me a festa. Falámos um pouco, e começei a passear pelo recinto. Vi algumas pessoas mais antigas, que não me falaram sequer. Muito pelo contrário, sussurraram "O que é que este está aqui a fazer fardado?". Como se não pudesse usar a farda...era minha!

Voltei a ter com a minha amiga perto de um coreto de aldeia que ali estava no cimo. Ela estava sentada numa mesa de pedra que ficava dentro do coreto. Sentei-me ao pé dela, e senti que havia ali um clima de tristeza. Perguntei-lhe "O que foi?" ao que recebi "O meu irmão vai morrer". Assim com um ar seco e amargurado. Tentei perceber o que é que se passava em torno desta notícia. Aparentemente ele tinha um problema qualquer num olho. E dava para morrer.

Depois fui-me embora dali. Ali nas redondezas estava a minha banda, numa quinta de um estrangeiro qualquer. Havia concertos, ou gravações... n me recordo. A quinta era grande, e até dava para lá ter o meu cão a passear, e a cavar buracos. Não voltei a ir ter com os escuteiros...