quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Benefícios Fiscais


Ora hoje comprei uma casa. Um casa bonita, amarelo clarinho, com ornamentos de pedra branca, laje de cor clara. Um pequenino terreno nas traseiras de onde dá para avistar perfeitamente todo o esplendor da casa.
A casa fica numa localidade afastada com pouca coisa à volta. Nesta terrinha existe uma igreja, tal como em todas as terrinhas. Fui falar com o Padre da localidade e ele esteve a contar-me como é que ele tinha ganho algum com a declaração de IRS da Igreja. No adro da Igreja existe um pequenino lago com peixes daqueles cor de laranja que não servem para nada. Peixes cor de laranja e verdete. Acontece que o Sr. Padre declarou aquilo como sendo uma piscina. E como tal teve direito a benefícios fiscais e recebeu algum.
Um dos meus colegas de trabalho vive nas redondezas, na casa dos pais dele. E convidou-me, como bom vizinho que é, a ir conhecer a casa dele. Lá fomos. Entrámos directamente para a sala de estar dele, onde havia playstation e Tv e música. Típico quarto de indivíduo que vive com os pais. Então quando eu saí pela porta que dá acesso ao hall da casa é que percebi que não se tratava de uma casa qualquer. Era um grande hall... tipo Hollywood mansion. Digna de aparecer no Cribs.
Olhei em volta para absorver toda a categoria. Reparei que os pais dele tinha os seus negócios ali sediados. A mãe tinha um centro de estética - cabeleireiro, manicura, massagem,... e outras coisas que as mulheres fazem. Ficava situado no grande Hall da casa, um pouco abaixo do piso onde eu estava. Estavam mulheres morenas a arranjar o cabelo e algumas as unhas. A senhora que lhes arranjava o cabelo era loira.
Continuei a olhar em volta, e notei que atrás de mim, ainda havia outro piso para cima. Aí estava o negócio do pai do meu colega. Chama-se SIVA, e era um negócio de pão. Não me parece que fosse uma típica padaria, pois tinha uma imagem de marca mais evoluída. Mas também não parecia muito profissional. Parecia o tipo de marketing saído do powerpoint do computador pessoal lá de casa. Tratava-se de um envidraçado que estava coberto de papel de parede com a imagem da empresa SIVA (a de pão).
Lá me fui embora. Saí para a rua e encontrei o pai do meu colega de trabalho encostado a um tanque de água, daqueles que se encontram nas vivendas das terras dos nossos pais. Era um tanque com cerca de 3 metros de comprimento por 2 metros de largura. E tinha cerca de 1,5 de altura. Estava todo rebocado com cimento. Trabalho muito caseiro e feito à pressa., inclusivamente se notava ainda alguns tijolos deixados pelo chão de erva rasa e gravilha. Tinha água, e estava limpa. Não se notava o verdete nem musgo no cimento. Ficava do lado direito de uma espécie de construção igualmente rebocada a cimento. Devia servir para guardar coisas dado o seu tamanho demasiado pequeno para servir de habitação. Meti conversa com o senhor. Quis fazer um brilharete e aconselhá-lo sobre os possíveis benefícios fiscais que ele podia obter com aquele tanque. Dei-lhe a mesma conversa que o Sr. Padre me tinha feito. Expliquei-lhe que se ele declarasse aquele tanque como uma piscina. Poderia obter benefícios fiscais e ainda ganhar qualquer coisa com isso. Porque não rentabilizar o tanque? Ele desconfiou um pouquinho, mas estava algo interessado, até se tinha levantado. E perguntou-me como é que deveria proceder no caso de haver uma inspecção. Eu disse-lhe "Amigo, desde que eles não venham medir os níveis de cloro... não conseguem perceber que isto não é uma piscina!!!"

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