terça-feira, 21 de outubro de 2008

Vintage III



Um dos actos que desde sempre me lembro de ocorrer em sonhos é voar.
E não é coisa que apareça assim do nada. Na casa dos meus pais havia um pequenito quintal onde eu fazia a maior parte das minhas brincadeiras ou experiências que precisavam de ar livre, seja por necessidade de altura para testar foguetes ou aviões ou coisas afins; seja por necessidade de explodir qualquer coisa que por "razões de segurança" não se devia fazer em casa (muito menos quando a mãe está por perto). E foi precisamente nesse local em que tive o primeiro sonho em que voava.
Eu estava no quintal e reparei que se fizesse os movimentos da braçada crawl ganhava algum poder de levitação. Aquilo não foi imediato. Requereu algum treino a baixa altitude, para ganhar equilíbrio. Mas passado um bocado já estava a aventurar-me à altura dos prédios. Dos prédios passei para mais alto, e algum tempo depois já andava nas nuvens.

Curiosamente nos sonhos seguintes, uma vez que a aprendizagem de voo já estava concluída, já consegui voar perfeitamente. E durante esses sonhos seguintes tinha consciência que já sabia voar e que já o tinha aprendido em sonhos anteriores.

Passados alguns anos voltei a ter séries de sonhos com voos. Lembro-me que nesses sonhos já estava com falta de prática. Lembro-me de me mandar de um prédio alto para "forçar" a técnica a voltar. A técnica não voltou. Pânico. Recordo-me que vinha em queda livre a ver o chão a aproximar-se muito depressa, e lembro-me de pensar "Já foste...." e de seguida bater no chão com muita velocidade. Para meu espanto, o chão, era feito de gelatina. Assim não me magoei. O que teria sido aborrecido, mesmo para um sonho. No entanto a gelatina não tinha elasticidade suficiente para aguentar a velocidade que eu tinha. A gelatina rompeu e eu passei para baixo - o inferno. E foi assim que eu sonhei que tinha ido parar ao Inferno. Mas depois voltei cá acima e correu tudo bem, andei a dar mais pulos de prédios.

Um outro sonho que envolve voos e que, já mais recente, recordo com humor.
Eu andava a tomar conta de um dos meus sobrinhos. O meu irmão (pai do miúdo) tinha ido trabalhar. Estava em casa dos meus pais. E decidi ir brincar com ele lá para fora, e porque não estragar o puto com brincadeiras não permitidas à frente do pai? Então fomos dar uma volta, a voar. Ali a baixa altitude, por razões de segurança. Eis que ele, como era pequeno, me escapa dos braços e estatela-se no chão. E assim que ele embate no chão transforma-se muito rapidamente numa caixa de fósforos pequena. Eu pego nele na palma da mão e reconheço que isto era um problema que eu não sabia resolver. Uma alhada.
O sonho terminou comigo a questionar-me "Como é que vou explicar ao meu irmão, que o filho dele agora é uma caixa de fósforos!?"

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