quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Cabala Política


Este dava para Hollywood. Tudo começa bem em família. Toda a gente é feliz, bonita e tem dentes brancos e certinhos. Vivo numa casa de madeira, estilo pré-fabricado antigo. Na porta das traseiras há um envidraçado que dá para ver as escadas de madeiras que descem para o pequeno lago que existe nessa zona. Existem caniços e algum verdete nas margens do pequeno lago, e alguma sujidade natural à tona de água. Não é portanto uma piscina, é mais o tipo de sítio para onde se atiram pedras só para ver o "splash".
Em família, eu e o meu irmão mais velho (não o da realidade, mas sim um "inventado") estávamos a fazer competições para ver quem conseguia ir a correr pelo corredor no cimo das escadas e fazer o maior salto em comprimento possível aterrando na água do lago. Como em todas as brincadeiras em família, existe um quadro digital que regista o comprimento dos saltos com gráficos. E inclusivamente existe um recorde do mundo - que pertence ao meu irmão mais velho.
Eu dou um salto verdadeiramente enorme, e aterro dentro de água no meio do reboliço de espuma branca e turbilhão de ondas. Fico algum tempo debaixo de água. Bastante tempo. Nesse período o meu irmão que observa na zona dos caniços a minha prova teme que eu lhe retire o recorde; O salto foi fabuloso. Quando venho à tona, no gráfico marca 57. O Recorde é 60. (não faço ideia de que unidades estamos a falar... mas falamos de comprimento). Como é óbvio ele faz um "yess" para celebrar o facto de ter mantido o recorde.
Eram momentos fantásticos em família. Até que o meu irmão decidiu se candidatar à presidência. Ele tinha uma carreira política que se encontrava em fase de eleições para o mais alto cargo político do país. Eu, em paralelo, estava a candidatar-me à presidência da junta de freguesia da localidade.
Eis que pelo meu charme e carisma, enquanto político de autarquia local. Os vilões, ao serviço de não se sabe quem, decidem que eu era um alvo a abater. Claramente o meu carisma não estava de feições para alguém poderoso. Possivelmente isto até estaria relacionado com a candidatura do meu irmão.
Começa uma fuga hollywoodesca em que eu tenho de saltar, várias vezes, pelo vidro da janela das traseiras da casa, e aterra de cabeça na água do lago. E com esse truque de circo consigo sempre fugir aos tipos vestidos de pretos que andam a tentar dar cabo de mim.
Algures durante a fuga andei escondido em jardins de rua, atrás de sebes na Póvoa St. Adrião. A vê-los passar em jipes e motos, à procura de mim. Andei foragido durante algum tempo, saltei mais uma vez para o lago enquanto fugia.
Acordei com o despertador, frio e destapado. Dei um pontapé na miúda do lado (para desligar o despertador) e voltei a dormir.

1 comentário:

nº2 disse...

"Como em todas as brincadeiras em família, existe um quadro digital que regista o comprimento dos saltos com gráficos."
ahaha! ri-me bué.no final fica demasiado comum, mas suponho que isto não seja feito para me entreter.