quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Nesta ocasião eu morava num apartamento qualquer numa torre citadina. E quando me mudei para esse apartamento eu tinha pintado o exterior do prédio, na fachada em que a sala tinha janela. Eu morava num andar bem alto, e para as pinturas tinha sido necessário erguer andaimes para a pintura. No entanto eu já lá morava há um ano e nunca tinha tirado os andaimes.
Acontece que de vez em quando eu ia sentar-me no andaime, que ficava mesmo na janela da sala e punha-me a jogar playstation daí, embora virado para a rua. Não via ecrã nenhum, mas tinha o comando das mãos.
O meu cão um dia que estava a passear na rua viu-me lá em cima e subiu até mim pelas escadas do andaime. Como estava cansado, adormeci enquanto ele subia. Poucos minutos depois acordei com as típicas lambidelas caninas no rosto, e pensei imediatamente: "o cão não pode estar aqui, não é permitido.". Reprimi o acto do cão, mas como podia ser perigoso ele descer pelos andaimes (visto que é um cão), agarrei-o e a muito custo, mandei-o para dentro da sala, através da janela.
Depois fiquei uns segundos a olhar "lá para baixo", e pensei : "adormecer aqui não deve ser lá muito seguro, não devia jogar playstation aqui sentado".

Alguns dias depois, num dia bastante chuvoso, e estava a andar de carro pela vila onde os meus pais vivem. Tinha comigo um dos meus sobrinhos. Os vidros do carro estavam bastante embaciados e com a chuva não via praticamente nada. Eis que um sujeito aparece de entre os carros e lhe bato ligeiramente com o pára-brisas na cabeça. Obviamente que parei e pedi desculpas, mas ele estava mais interessado em me aplicar uma valente sova. Então pus o pé no acelerador e disparei dali para fora. Ele tinha uma pickup preta que muito rapidamente se colocou no meu encalçe. Tentei despistá-lo e fugi até à rua dos meus pais. Mas ele seguiu-me o caminho todo. Saí do carro e vi um tipo com cabelo descolorado e tatuagens coloridas nos braços à janela de um segundo andar. O tipo que eu tinha ligeiramente atropelado era parecido com este da janela, foi então que reparei que o atropelado era o actor Simon Pegg, que vendia churros e farturas ali perto. Aliás ele estava ainda com um barrete branco atado à cabeça.

O Simon ainda vinha com a vontade de me deixar ali bem esmurrado, mas para minha surpresa o tipo que estava à janela conhecia o meu pai e assegurou o Simon que eu era boa pessoa. Pedi mais uma vez desculpas pelo incidente e aparentemente tudo estava bem. Quando abri o porta bagagens do meu carro estava lá uma matrícula de carro agarrada a meio pára-choques. Não percebi o que era, visto que nem era meu. O Simon disse "trata de fazer com que isso desapareça, e não terás problemas comigo". Pareceu-me um negócio justo. Afinal de contas era só deixar aquilo num contentor de lixo qualquer.


Cada um seguiu seu caminho.

Passados alguns dias, numa situação em que estava a sair de um Hospital, a propósito de uma visita a alguém conhecido, num corredor do andar em que tinha ido fazer a visita, havia uma patamar para os elevadores. Dois Elevadores lado a lado, portas verdes dos anos oitenta, chão de mosaicos de cor avermelhada, e sem qualquer luz no tecto a iluminar essa zona.
Carreguei no botão para chamar o elevador. Esperei um momento a olhar para as portas. O ambiente era escuro, e a única luminosidade que havia vinha de um corredor próximo. O elevador que apareceu primeiro foi o da esquerda. Abri a porta e vejo lá dentro dois pneus, molas de suspensão e outras peças de carro. Muito rapidamente percebi que eram peças do meu carro, alguém o tinha desmantelado com um sadismo supremo. Vi que à porta dos elevadores já estavam outras peças espalhadas, reparei especialmente numa bateria de carro da marca "deWalt". Associei o acto imediatamente ao Simon. Tinha sido ele que tinha feito isto como vingança pelo atropelamento. Peguei numa das rodas que estava no elevador e arremessei com força para o chão, deixando-a a saltitar.

Subitamente havia cada vez mais peças espalhadas pelo chão. Vi um bilhete colado aos botões do elevador, era um desenho de uma criança, com o aspecto tosco e simples dos desenhos que eu fazia quando tinha 4 ou 5 anos. Reparei que tinha uma mensagem escrita a caneta, nas costas do desenho, escrita pelo Simon: "Pensavas que era só pedir desculpa e ficavas livre, pois fica sabendo que não levaste na tromba, mas vais pagar de uma maneira muito pior, com medo. Vais ter medo de tudo o que fizeres, sempre a pensar que eu vou estar por perto. Vais ter medo de abrir elevadores e portas." De facto estava a funcionar, fiquei aterrorizado. Só me lembrei das situações dos filmes em que as pessoas são aterrorizadas por um psycho qualquer, que só descansa quando morre. Continuei a ler: "Passei em tua casa, e vi o teu cão. Muito giro, especialmente quando o deixei a sangrar no chão como um porco." Aí parei de ler, e decidi que tinha de tratar do assunto tal como nos filmes. Tinha o coração a bater muito rapidamente e com um misto de muita tristeza e a sentir um mau karma.

Acordei: igualmente acelerado, com suores, com aquela sensação de "hoje até vou gostar de ir trabalhar".

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Evento de empresa




Tudo começou quando fui fazer um favor a um amigo meu que trabalha numa loja de instrumentos musicais. Fui substituí-lo durante uma horas enquanto ele tratava de assuntos da vida dele. Fiquei na secção das baterias. A loja estava razoavelmente populada de clientes, mas só um é que se dirigiu a mim. Trazia uma fender stratocaster branca e um pedal de efeitos, e procurava comprar um prato de bateria aonde ligar a guitarra. Tratava-se de uma opção completamente lógica, pelo que o deixei experimentar pratos à vontade para ele fazer um bom som de guitarra. Passado pouco tempo reapareceu o meu amigo e ficou a tomar conta da ocorrência.
Mas eu tinha onde estar: tinha um evento de empresa, daqueles onde se pode relaxar um pouco da semana de trabalho. Mas este tinha uma particularidade: era em Londres.
Fui para Londres, e à chegada, ao passar no controlo alfandegário. Era um controlo muito rudimentar. Parecia ser uma loja no centro da cidade, tipo agência de viagens, com duas mesas brancas onde dois agentes, um feminino, outro masculino, vistoriavam os documentos dos viajantes.
Apresentei o meu passaporte. Para meu espanto, não passava de uma folha em formato A4, dobrada em forma de panfleto, de cor amarela viva, e letras impressas a preto. Tinha os meus dados impressos, e vários carimbos pequenos com cores azul e vermelha.
A agente feminina, loira, de farda azul, examinou o meu passaporte. E claro está, havia uma irregularidade: o número do BI. Aparentemente o dígito de controlo não batia certo com o número de identificação, e mesmo o número de identificação esta com os algarismos desordenados como se alguma dislexia ali se tivesse passado.
Depois de lhe provar matematicamente que se ela ordenasse correctamente os número, o dígito de controlo bateria certo, então pude prosseguir viagem.

Passado algum tempo já me encontrava à beira rio, numa zona turística, onde se via uma igreja medieval, com o respectivo cemitério minúsculo, com pedras antigas e aspecto de ruínas. Desci umas escadas, que tinham uma carpete vermelha larga, em direcção ao rio. Estava acompanhado de um colega de trabalho. Ouvia-se muito bem o som da água do rio a bater na margem. Acontece que os ingleses tinha microfones a captar este som, e emitiam-no por colunas escondidas, de modo a criar um ambiente relaxado para os turistas.
Virámos à esquerda e fomos ter com os restantes colegas de trabalho. No entanto tratava-se de um evento de uma outra empresa onde eu já tinha trabalhado anteriormente. Cumprimentei os meus colegas, que não pareciam muito interessados em conversar comigo, visto já não ser colega deles. No entanto aproveitei e bebi um gin tónico, ou dois, e raspei-me dali para fora.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Treino canino


Nós vivíamos numa zona litoral, com pinta de vila piscatória. As casas têm manchas de ferrugem na pintura exterior, a maior parte não tem mais do que um ou dois andares, e quase todas pintadas de branco sujo. Nos sítios onde não há casas construídas, há partes de terreno com arbustos baixos e algum entulho que já tem aspecto de ter sido despejado há alguns anos.
Tínhamos um problema nas mãos, que era o facto de querermos ir de férias, e precisarmos de um sítio para deixar o cão. O meu cão é um boxer, grande, e eléctrico tipo coelhinho da Duracell, significando isto que não o posso deixar em qualquer lado, correndo o risco de despesas. Mas como temos estado a investir no treino do animal já nos parecia mais acessível deixá-lo com alguém. Procurámos entre sítios e pessoas conhecidas, e o que na altura nos pareceu mais óbvio e seguro... era deixá-lo a viver num bar durante uma semana.
Fomos visitar o bar em questão. A entrada era num piso superior e não sendo grande tinha umas arcadas, com vista para um desses terrenos baldios. As portas eram de madeira escura e gasta da humidade do tempo, e abriam para dentro, onde se via um hall com um bengaleiro, paredes brancas, e tijoleira laranja no chão. Em frente desciam as escadas para o bar propriamente dito, onde se ajuntavam pouffs, sofás, mesas baixas, colunas cilíndricas de alto a baixo, e alguns espelhos espalhados pela sala. Parecia ser um bar que era muito estimado desde o fim dos anos oitenta. O Dono era um senhor muito simpático, algo gordito, na casa dos quarenta, e já careca, disfarçava-o rapando o cabelo bem curtinho.
Falámos sobre o assunto do cão: ele não estava muito seguro da ideia de ficar com o bicho durante uma semana, especialmente sendo este bastante "mexido". Assegurei-lhe que o bicho já estava mais calminho e obediente prontifiquei-me para fazer uma pequena demonstração. A demonstração consistiria em arremessar um objecto meu para o terreno que estava adjacente ao edifício do bar, e o cão iria procurar esse objecto e trazê-lo a mim.
Assim o fiz, atirei algo para o meio dos arbustos. O meu bicho muito rapidamente se dirigiu ao terreno cheirando tudo o que via. Passado alguns segundos encontrou o objectivo. Trouxe-o a mim e recompensei-o com comida.
O dono do bar não me pareceu muito impressionado. Achei que precisávamos de ensinar algo ao cão que lhe fosse útil. Daí que durante uns dias treinámos o animal para: fazer pizza! A pizza seria sempre a mesma, para não complicar. Ele só tinha de fazer massa, espalhar uns pedaços de queijo parmesão e completar com rúcula. O cão ficou bastante motivado com a actividade, tanto que até passou a usar um chapéu de cozinha.
Como é óbvio, o meu bicho arranjou lugar no bar, durante uma semana... a fazer pizzas.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Gone in 60 seconds


Assaltaram-me a casa. Entrei em casa depois de um fim de semana passado fora, e percebi imediatamente que tinha sido assaltado. Estava tudo remexido, tecidos por todo o lado, livros, almofadas. Tudo fora do sítio habitual. O carro e a mota tinham desaparecido. Aproximei-me das escadas e vi estavam uns envelopes daqueles dos bancos empilhados com alguma ordem. examinei os envelopes: tratava-se dos planos discriminados de pagamento dos empréstimos da mota e do carro. Do carro faltavam ainda 12460 euros. E eu agora nem carro tinha. Da garagem levaram-me as pranchas.


Ainda sem reacção de pânico ou de tristeza, a minha mulher pediu-me para examinar " lá em cima". Lembrei-me imediatamente da bateria, e do quartinho que tão arduamente construí. Subi a correr: estava tudo partido. Serraram a minha construção pela horizontal. Levaram a lã de rocha, pensei eu, não estava em lado nenhum. Curiosamente aspiraram tudo, profissionais pela certa. A bateria tinha sido levada. Era preciso alguém ter muita paciência para arrumar a tralha toda e levar aquilo. Tinham tido tempo e o alarme não deve ter tocado. Isto era trabalho para demorar um fim de semana inteiro. Fiquei com os braços para baixo em sinal de desistência, só e parado a olhar para o cenário. E ainda tinha de pagar o carro...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Surf Biz


Estava no mês de Setembro. Na praia: com falésia, areia limpinha, mar azul, ondas bonitas. E estava também um senhor que me tinha ensinado a surfar, e que tem uma escola de surf. Ele tinha interessantemente ficado rico com as aulas de surf, o que achei algo bizarro dada a natureza do negócio. Falou-me que eu ainda tinha umas aulas q
ue lhe tinha pago há algum tempo atrás, e que tinha ido desfrutar. Perguntou-me se eu não queria lá ir. Eu respondi-lhe que já não fazia sentido, mas que se não houvesse problema poderia oferecer essas 2 ou 3 aulas a um amigo, e possivelmente até esse mesmo depois voltaria a comprar aulas para continuar a aprender.
Olhei para trás para ver alguém com uma longboard a rasgar uma onda limpinha e azul, enquanto ele me dizia que não havia problema, e se eu tinha alguém em mente. Lá pensei um pouco, olhei para a falésia, e lembrei-me do meu irmão mais velho, que até tinha pinta de quem gostaria de longboard.
Ele ficou extremamente interessado em conhecer o meu irmão mais velho. E foi aí que ele se descaiu e eu percebi o plano.
Ele tinha ficado mais abastado recentemente com as aulas de surf, e queria investir dinheiro num negócio com futuro. Uma vez que ele tinha tido conhecimento de que o meu irmão estava a lançar um negócio de caravelas para transportes de carga - ecológico, renovável, sustentável - ele quis desde logo fazer parte do negócio. A oferta das aulas era um embuste, fui-me embora.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Company paintball


A malta da empresa foi jogar paintball. Tipo evento de team-buildinh. Só homens, a maioria vestida a preceito. O cenário era numa antiga unidade fabril abandonada, muito semelhante a uma que já frequentei ali na zona de Belas, mas não a mesma. Era um sítio novo em que nunca tinha estado. Estavamos lá cerca de dez a quinze pessoas pra jogar. Havia um piso inferior amplo e cheio de caixotes, barris vazios e lixo variado; um piso superior com metade da área e com vista ampla para o de baixo. Também este cheio de detritos, lixo e material indecifrável.

Um dos meus colegas, estava vestido tipo um soldado de elite. Roupa escura, colete com acessórios, fato azul escuro por baixo. Botas, caneleiras, luvas, e arma auomática. Como ele me parecia bastante experiente em matar pessoas, achei por bem "colar-me". Andámos sempre em equipa, a correr de um lado para o outro. Inclusivé, ele sugeriu um atalho em que passámos pelas escada de um prédio. Era o prédio dos pais dele, e até deu tempo para conversar com a mãe dele. Tinha um filho no Iraque em missão militar. Muito rapidamente continuámos, e voltámos ao cenário do jogo. Nisto encontro o meu colega P. que não estava vestido a preceito, mas sim continuava com a camisa branca e gravata encarnada do trabalho. Como estava muito perto dele, optei por não disparar e disse "Estás morto". Pelo olhar dele de curiosidade, percebi que ele não conhecia a técnica de não-disparar-a-menos-de-5-metros-para-não-aleijar. Apressei-me a dizer "Então vou disparar...". Ele percebeu imediatamente para que servia a frase, e antes que eu premisse o gatilho, ele deu-se por morto.

Só faltava um membro da equipa inimiga. O N. que estava no andar de cima. Ficámos por ali a dar tiros, até lhe dei umas balas que tinha em excesso para equilibrar as probabilidades de jogo. Mas ele até mais do que eu.

No fim aborreci-me e preferi dar tiros nas caixas para gastar as bolas/balas.

Nunca fui atingido...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Hungry Geek

Hoje estava a programar alegremente, quando me deu a fome. E eis que descobri por acidente como pedir uma sande. Mas não uma sande qualquer - uma sande de Açor.
Então para isso é só uma questão de programar a seguinte linha de código:
Acores sande = new Acores();


Como estava cheio de fome, decidi repetir a proeza, e continuou a resultar.

Scouting


Convidaram-me para ir a um acampamento de escuteiros ter com amigos meus. Amigos que foram meus colegas de escutismo na infância. Eu gosto por natureza dos acampamentos. Fiquei obviamente ansioso com a ideia. Mas a ideia tomou proporções mais sérias visto que voltei a vestir a farda de escuteiro. Então fui com o meu irmão (que também já tinha sido), ambos fardados. Tal como se tivessemos sido readmitidos ao movimento. Chegámos ao local, que era numa ladeira de terra, perto de uma casa já um pouco antiga. O cenário tinha pinta de aldeia do norte de Portugal. Havia imensas caras novas, que eu não conhecia e que obviamente também não me conheciam. Esperava ter tido uma recepção mais entusiástica, mas até percebo porque não. Afinal de contas ninguém se lembrava de mim.
Dirigi-me à parte de cima da ladeira, perto das tendas. Vi uma amiga dos tempos de infância e ela sim fez-me a festa. Falámos um pouco, e começei a passear pelo recinto. Vi algumas pessoas mais antigas, que não me falaram sequer. Muito pelo contrário, sussurraram "O que é que este está aqui a fazer fardado?". Como se não pudesse usar a farda...era minha!

Voltei a ter com a minha amiga perto de um coreto de aldeia que ali estava no cimo. Ela estava sentada numa mesa de pedra que ficava dentro do coreto. Sentei-me ao pé dela, e senti que havia ali um clima de tristeza. Perguntei-lhe "O que foi?" ao que recebi "O meu irmão vai morrer". Assim com um ar seco e amargurado. Tentei perceber o que é que se passava em torno desta notícia. Aparentemente ele tinha um problema qualquer num olho. E dava para morrer.

Depois fui-me embora dali. Ali nas redondezas estava a minha banda, numa quinta de um estrangeiro qualquer. Havia concertos, ou gravações... n me recordo. A quinta era grande, e até dava para lá ter o meu cão a passear, e a cavar buracos. Não voltei a ir ter com os escuteiros...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Speed Fishing Boat



Estava eu sentado num porto de pesca. Aliás, uma doca. Os barcos de pesca entravam e saíam. Tinham todos os tamanhos comuns. Eu estava junto ao lado de terra, e no sítio onde eu estava sentado via-se um pontão de cimento, que protegia a doca da ondulação exterior.

Nunca tinha lá estado, e apenas fiquei ali sentado a ver os barcos passar. Como todas as docas de pesca o ambiente é um pouco sujo, cheira-se a peixe e a mar no ar. É um cheiro curioso e agradável, para quem gosta do mar.

Nisto entra um barco vermelho, de tamanho grande, pela doca a dentro. Curiosamente tinha o feitio de uma embarcação a vela, mas sem o mastro. Trabalhava a motor, que se ouvia ruidosamente. Estranhei imediatamente o facto deste barco estar menos mergulhado da água do que o que seria de esperar. Pensei que estivesse pouco carregado. O facto de ele deslizar muito à tona de água fazia com que oscilasse muito para os lados. Todo ele era vermelho. Um vermelho gasto pela água, pelo vento e pelo tempo. Não era um barco que estivesse muito cuidado. Parecia ser um barco de trabalho. Não se via ninguém no barco, no convés não havia nada, nem uma cabine para quem o comandasse.

Nisto o barco vermelho aumenta o barulho do motor. E com o barulho do motor, aumenta a velocidade. Aumentou a velocidade e aumentou as oscilações. Não fazia sentido que um barco daquele tamanho acelerasse à entrada da doca. Claramente se ia esbarrar contra o cimento mais tarde ou mais cedo. Não havia forma de travar a tempo.

Continuou a acelerar desmesuradamente. Tanto que se tornou instável. A pessoa que estava ao comando não podia estar bem da cabeça. Era um acto suicida, só podia.

Era um espectáculo de velocidade. Foi tanta que o barco levantou a parte da frente. Apanhou com o vento na frente e levantou todo ele da água. Já todo no ar, virou-se e caiu de lado na água.

Fantástico, pensei eu, como é que um madeiro daqueles consegue ter velocidade suficiente para levantar e cair. Que bela demonstração de acidente.

No entanto, não tardei a prestar auxílio. Fui até ao topo do barco vermelho, todo ele em madeira. Tinha uma abertura para o seu interior. Espreitei e vi um dos meus irmãos e os seus dois filhos. Os três lá dentro ainda desnorteados pelo acidente. Olhei em volta e vi a fornalha que alimentava o motor. Tinha na entrada um grande tronco de madeira. Tratava-se do outrora mastro do barco vermelho. Tinham-no usado para combustão do motor.

Explicou-me o meu irmão que o tinham usado por ser boa madeira. E tal forma era boa, que queimou de forma rápida e explosiva tendo dado ao motor aquela propulsão fantástica. Não deixei de ficar fascinado pelo bizarro da situação. Um motor a diesel alimentado por uma fornalha que ardia o antigo mastro principal.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Receita para viajar no tempo


Ora bem, eu estava numa feira de ciências. Fazia parte de uma das bancadas que demonstrava aos mais variados visitantes e curiosos, fenómenos engraçados da física. Embora fizesse parte da bancada não era o responsável. Havia um professor que de bata branca supervisionava todo o aparato.
Atrás da bancada havia uma parede com cortinados, e na abertura desses cortinados estava uma porta que ligava a uma divisão que tinha um lavatório e uma mesa. Penso que se tratava de um laboratório da escola em que nos encontrávamos.
Eu sabia de rumores de uma experiência que tinha permitido fazer viagens no tempo. Havia uma fórmula química que nos dava acesso a isso. Eu estava nesse laboratório a testar mistelas e a ver o que acontecia.
Numa das experiências misturei os seguintes elementos:
  • Zi, (embora estivesse mal rotulado,... significava Zircónio - Zr)
  • Zi6,
  • Uma rodela de limão,
  • Sumo de limão natural congelado.
Misturei tudo isto muito bem, e depositei num tubo de ensaio tapado com uma rolha de cortiça.

Entretanto, olhei pela janela e vi que estavam a chegar vários carros BMW todos pretos com vidros fumados, todos eles ficaram parados em sítios impróprios para estacionamento. Saíram de dentro dos veículos 3 ou 4 tipos altos, entroncados, de fato preto e camisa branco, cabelo curto e óculos escuros. Evidentemente que eu estava em apuros, só podiam ser tipos de uma agência governamental a tentar ter controlo sobre a minha experiência. De algum modo eles sabiam o que eu andava a tentar conseguir naquele laboratório escolar.

Juntamente com um amigo fugimos para a rua. Perseguidos pelos gorilas governamentais. Chegámos até uma daqueles rede de arame que era alta de mais para ser ultrapassada. Os perseguidores estavam já muito perto de nós. Não havia por onde fugir. O meu amigo então segurou o tubo de ensaio que eu tinha preparado anteriormente e arremessou-o contra ao chão. Tal qual um ninja a lançar bolas de fumo, do tubo de ensaio emanou uma mini-explosão azul. Tanto eu como o meu amigo desaparecemos naquele instante. A fórmula tinha funcionado.

Fomos parar a outro ponto no tempo, não muito distante. O suficiente para fugir ao governo. Eu agora tinha-me tornado num alvo a abater. Podia viajar no tempo. Memorizei a simples receita e não a escrevi em lado algum. A minha vida não mais seria a mesma daí em diante.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Época de neve



Acontece que estamos na época de neve.
Estava numa estância de ski ali em Caneças com um grupo de amigos, todos num apartamento . O ambiente era bastante festivo e eramos talvez mais pessoas do que o que o apartamento conseguia comportar. De facto era o antigo apartamento de um dos meus irmãos.
Tínhamos ido com um grupo de amigos do antigo colégio da minha namorada. Tudo malta porreira. Estava frio porque um deles vestia um grande casaco de penas preto, e no geral a malta estava vestida para o frio. Como era de noite e estava toda a gente à conversa, um dos rapazes aceitou ajudar uma amiga minha a conseguir alguns benefícios fiscais no contexto do IRS. A ideia era aproveitar o facto de, sendo ela professora, e tendo boas avaliações, conseguir obter a maravilhosa maquia de 2000 euros quando recebesse o dinheiro do IRS. Para isto bastava que se auto-avaliasse com nota B. Sendo a nota máxima: A.

O ambiente estava bom e agradável. E para ajudar à festa chegaram os Incubus.
Ora os Incubus aparentemente era conhecidos de algumas das pessoas que estavam no apartamento. Vinha a banda toda, e vinha material para poder ensaiar. Aproveitei para conversar um bocadinho com o baterista, e ajudá-lo a montar o kit. Não deixei de notar que ele tinha tripés absolutamente de topo de gama e desconhecidos do público geral baterista.

A razão de eles lá estarem era precisamente o guitarrista vender uma das suas guitarras a um amigo meu, de forma a que ele pudesse jogar guitar-hero. O negócio fez-se, tendo esse meu amigo aproveitado para suavizar o negócio, visto que o vocalista dos Incubus tinha uma dívida de jogo no valor de dez euros a ele, já de um jogo de póquer antigo. Não houve problema, ajustou-se o preço e eles ficaram de resolver as coisas internamente.

Negócios, música e fiscalidade à parte: fomos esquiar... nas encostas de Caneças.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Rest...

Tenho dormido muito bem...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Guerra e Paz.... e pilhagem


Ora bem, estávamos na época pré-segunda-guerra mundial. Eu vivia com os meus pais num belo apartamento num estúdio no último andar de um edifício com pinta nova-iorquina. Era um apartamento tão porreiro que permitia-me entrar tarde e a más horas em casa sem que ninguém desse por isso, bastando para tal, percorrer uns quantos telhados de prédios contíguos e entrar para o meu quarto através do terraço do prédio.
O Terraço do prédio estava muito bem decorado segundo os padrões dos dias de hoje, um belo sofá amarelo de jardim, num deck de madeira, com árvores pequenas e pedras bonitas: o conjunto completo. Por ser um terraço tão porreiro, a minha irmã e o namorado dela, e os dois filhos dela, iam frequentemente lá para cima passar o tempo, quando o tinham. Eu não gostava particularmente do namorado da minha irmã, porque era namorado da minha irmã, e os irmãos nunca gostam dos namorados das irmãs. Contudo era um tipo bacano.
Entretanto a segunda guerra estala. E eu embora não sendo alemão, fui recrutado por eles. Mas como não era alemão, não podia ser oficial. Então confinaram-me a moço de recados, em que neste caso o recado principal era: pilhar tudo o que eu encontrasse, e que fosse giro. Bombas, munições, mísseis, capacetes, espingardas, prata, ouro, colares, pulseiras, taças e outros artigos que encaixassem na categoria de "giro".
Andávamos de terra em terra na guerra. E eu sendo o lacaio de um oficial de patente superior, tinha de andar sempre atrás dele a pilhar tudo o que encontrava. Vasculhava as casas que já tinham sofrido com ataques de bombas ou de milícias, e frequentemente encontrava granadas, obuses e outros artigos de guerra que dariam uma bela colecção no futuro.
Para guardar todos estes artigos existia um armário de madeira grande, com portas envidraçadas, atrás das quais se podia vislumbrar toda a colecção que eu andava a angariar.
Terminada a guerra, eu tinha conseguido sair muito bem entre os pingos da chuva e tinha chegado vivo ao fim da guerra.
Para celebrar o fim da guerra, foi organizado um evento estilo "jogos sem fronteiras". Eu como estava cheio de energia e cheio de vontade de celebrar decidi participar nas provas de perícia e resistência.
Havia uma prova de natação em que decidi participar, vesti a touca e pus os óculos na cabeça. Estava junto a uma das paredes da piscina e numa das pistas do meio. Do lado esquerdo vi uma parede de escalada artificial, e havia 2 ou 3 pessoas a descerem a parede em rappel. Ao meu lado direito saltou uma concorrente para dentro de água. Tinha o cabelo solto e um fato de banho feminino preto justo. Era nada mais nada menos do que a Sandra Bullock. Foi aí que percebi que já tudo estava bem no mundo.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Passeio de mota

Andei a passear de mota.

Vinha de uma festa citadina. Era uma festa no alto de uma torre, tinha um bar, sofás, pessoas, bebidas. O sofá era de pele branco e as luzes era de tons azuis. Tudo muito giro.
A festa terminou e fomos embora: Eu e a minha namorada. Ainda a mota estava parada fui dar uma volta a pé até à esquina e voltei. E nesse período de tempo há um cromo qualquer que decide mandar-se do alto da torre e estatelar-se no chão. Ora a minha namorada viu tudo e contou-me o sucedido. Era um momento trágico, estava tudo sujo no chão. Provavelmente o senhor estava deprimido com o emprego, visto que ainda estava de fato escuro e gabardina clara - e já era tarde.
Fomos então embora, de mota. Percorremos uma avenida num sentido, e no fundo invertemos o sentido. Logo a seguir à inversão do sentido parámos num semáforo. Era uma daquelas avenidas com três sentidos para cada lado. Havia carros de gama familiar à nossa volta e não havia carros em frente. A iluminação era razoável e até dava para ver bem em frente.
Assim que ficou verde no semáforo acelerei para aproveitar a recta e o espaço vazio de carros. Assim que terminei a recta reparei que a minha namorada já não se encontrava sobre a mota - o que provocou algum pânico em mim a pensar que ela tinha caído em andamento e eu não tinha dado por nada.
No fim da avenida contornei uma rotunda e voltei rapidamente - curiosamente em contra mão, mas não havia proibição assinalada! - Não a vi pelo chão, o que representou algum alívio. Estava ela de pé ainda no semáforo na outra ponta da avenida. Aparentemente quando eu acelerei, ela estava distraída a olhar para o ar, não se segurou a mim, e no momento da aceleração, ficou no mesmo sítio, de pé.
Quando parei junto a ela, contou-me mais um momento trágico. Um tipo desvairado, aproveitou o sinal vermelho do semáforo, colocou-se em frente aos carros, e pessoas que por ali estavam, apontou uma pistola de pequeno calibre à cabeça, e pôs termo à vida, mas não sem antes dar uns gritos de desespero.
Ainda ali imaginei-me na pele dele, a viver todo o momento e aflição e a premir o gatilho, ameaçando ainda algumas pessoas que me tentavam demover.
Estava a ser uma noite jeitosa. Então fomos embora: para casa - desta vez os dois em cima da mota.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Condução Nocturna


Um dia destes fui ver um concerto à noite com uns amigos. Estava frio acima de muito. Na vinda para Lisboa ligou-se o aquecimento e eu no banco de trás adormeci que nem uma menina. Mais ou menos na altura em que adormeci estávamos a atravessar uma ponte qualquer ali na zona do Cartaxo. E poucos minutos depois abri os olhos e reparei que continuava a chover a cântaros, a estrada continuava a ter três vias, nós seguíamos na do meio, mas não havia qualquer iluminação senão aquela que vinha dos faróis do carro. Toda a gente tinha adormecido menos o condutor.
Neste momento o carro sai da faixa do meio em direcção à direita e constato que o condutor também tinha adormecido. E eu digo "oh!" em voz alta de modo a tentar acordar o piloto. Mas ele já estava para lá desse ponto. Então claramente que me restava apenas a opção de o tentar acordar de modo mais brusco. Então cheguei-me um pouco à frente e empurro o braço direito dele e digo "olha aí!!!!" como quem já antevê a pancada a alta velocidade no meio da chuva numa noite de inverno no meio de uma estrada escura e deserta.
Nesse momento o condutor diz-me qualquer coisa como: "O que é?". Aí realmente abro os olhos, largo o braço dele e vejo que estou na A1, iluminada, carros à volta, a chuviscar. Toda a gente acordou em pânico com os meus gritos de alerta. Percebo o que se passou e começo a rir sozinho enquanto exclamo "eh eh que cena lixada". O condutor ainda sem perceber o que se passou, e porque razão lhe abanei o braço com força enquanto gritava "olha aí!!!!" pensa que eu vi qualquer coisa na estrada de timbre perigoso à qual escapámos por pouco. Mas não... era só eu a sonhar. Foi um bom concerto.

domingo, 30 de novembro de 2008

Guantanamo Star Galactica Wars


Estive a acampar. Estava num terra tipo trás-os-montes em que as encostas são íngremes. E na inclinação das encostas aproveitam-se pequenos patamares para fazer cultivo, ou no nosso caso, para montar as tendas.
Éramos um grupo de escuteiros que ali estávamos com acampamento montado. Havia malta de todas as idades e feitios. Havia tendas de várias cores, embora sendo de noite, já bem escura não fosse possível distinguir bem os formatos e cores das tendas que estavam mais longe.
Eu estava no sopé da encosta onde o acampamento estava montado. Eu reparava que havia movimento de pessoas lá mais para cima, mas não conseguia distinguir com clareza o que se passava. Provavelmente estariam a preparar jantar. Cá em baixo havia uma mesa montada num tripé quadrangular. Não estava lá ninguém sentado. Por isso deduzi que fosse necessário também, cá em baixo, preparar o jantar.
Como não havia comida tratei de ir na vizinhança procurar por algo que desse para desenrascar a refeição.
Acontece que ali mesmo ao pé, havia um forte, um edifício com estatura prisional. À volta só se viam árvores a cerca de cem metros de distância das paredes exteriores deste forte. Estava iluminado de forma fraca por fora, mas via-se claridade branca que emanava do interior para o céu. A parede exterior era construída sem janelas, sem portas e com um ar de construção do deserto. Parecia ser parede de argila de cor amarelada. Ora ali provavelmente deveria haver comida. O que não havia era forma de entrar. Reparei que mais ao alto existiam uns buracos na parede suficientemente grandes para deixar que a água das chuvas corresse para o exterior, mas suficientemente pequeno para evitar que alguém ou algo entrasse.
No entanto eu surpreendi-me a mim mesmo ao dar um salto para este buraco e entrar como que se o meu corpo se deformasse de forma elástica. Consegui esticar-me o suficiente para que conseguisse inteiramente entrar para dentro do forte por um buraco de vinte centímetros quadrados. Fiquei surpreendido por três razões. Primeiro porque não era normal alguém conseguir saltar a uma altura de quatro metros. Depois porque mesmo saltando não era normal eu conseguir deformar o meu corpo de forma elástica e passar por um buraco de parede. E por último porque entendi qual era o objectivo deste forte. Era uma prisão. Uma prisão de cariz militar.
Este forte representava aquilo que seria o Guantanamo para aliens. Eu tinha conseguido entrar portanto numa prisão altamente segura com conteúdo altamente invulgar: presos intergalácticos.
Não me perdi com detalhes, e passei ao objectivo que me levava ali. A comida. Eu precisava de comida para mim e mais quatro que me aguardavam no acampamento. Felizmente o buraco da parede por onde tinha entrado dava para uma zona mais resguardada do forte, e por isso menos vigiada. Havia caixotes e contentores de várias formas. E eu esgueirei-me a rastejar de modo a passar camuflado até ao frigorífico que rapidamente consegui descobrir, no meio dos caixotes.
Era um frigorífico comum, branco, de tipo combinado. Aproveitei para tirar umas bebidas frescas, estava calor. E tirei um coelho já sem pele, pronto a ser posto na panela. Antevia-se um belo petisco.
Voltei pelo mesmo caminho, a rastejar, com as garrafas frescas numa mão e o coelho noutra. Passei pelo buraco da parede, saltei para o chão e corri de volta ao acampamento.
Já junto dos meus amigos, a fazer um brilharete com a história da aventura, lhes entreguei os mantimentos que tinha recolhido no forte. Sim senhor acharam piada à história, mas as bebidas frescas era poucas e teria de lá voltar para trazer mais duas garrafas de refrigerante.
Lá voltei a correr, pulei para o buraco, estiquei o corpo, entrei, rastejei, cheguei ao frigorífico, tirei duas garrafas, rastejei de novo, e... acendeu-se um foco de luz que iluminava os caixotes da zona onde eu estava. Vi um marine americano com farda de deserto e arma ao peito à procura da origem do barulho. Com não estava para apanhar um tiro, ou no limite ficar preso no forte junto dos outros esquisitóides, rapidamente voltei a sair pelo buraco e saltei para o chão.
Quando aterro no chão percebo que há sarilho, há montes de gente na zona entre a parede exterior do forte e as árvores. Marines, civis, malta diversa. E nisto eis que aterra uma belíssima nave interestelar com formato comprido e pontas arredondadas. Lembrava bastante a nave do startrek, mas mais sofisticada. Afastei-me da zona onde a nave iria aterrar, juntos às outras pessoas.
A nave aterrou perto de mim, e não era tão grande como aparentava. Quem a comandava era o Adama, do battlestar galactica.
Estava ele mesmo aos comandos desta nave, dentro de uma pequeníssima cúpula de vidro mesmo na ponta da nave. Existia uma segunda cúpula de vidro ainda mais na ponta, mas ninguém vinha lá dentro. E nesse momento olho para o lado e quem ali estava ombro a ombro comigo a olhar para o Adama era o XO Saul, também do battlestar galactica. O Adama convidou o Saul a ir dar uma voltinha na nave ao que ele prontamente aceitou. Eu preferia que ele me tivesse convidado a mim, mas compreendi, afinal eles já eram amigos há muitos anos. Fiquei ali a olhar, com os refrescos na mão.
Para complicar as coisas, no canto inferior direito do meu plano de visão apareceu uma janelinha do messenger que informava "Darth Vader has signed in to messenger" Inclusivamente antes do nick dele havia uma símbolozinho com o capacete do darth vader. Isto só podia significar sarilhos. Virei-me para o Adama e como quem sabe algo que os outros não sabem profetizei: Sinto um distúrbio na Força.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A noite em que quase vendi o blog...


Era noite de halloween e estavam uma série de pessoas numa casa grande estilo vivenda apenas com piso térreo. Esta casa tinha uma série de divisões todas cheias de gente divertida e sobretudo bêbeda. Lembro-me que pela quantidade de álcool que ali estava concentrada começámos a delinear estratégias de realização de actos parvos. Como por exemplo fazer bombinhas. No entanto uma rapariga vestida de preto, estilo gótica deprimida optou por sugerir emularmos uma cena ritual de sacrifício. Pareceu divertido, por isso toca a preparar a brincadeira.
Saímos pela porta da frente para o jardim. Havia uma zona grande verde de um dos lados da casa. Na parte da frente havia apenas um pouco de relva, plantas diversas e flores de jardim. Depois estava a vedação, o passeio da rua e a estrada principal. Na parte do jardim grande, havia perto de uma árvore uma mesa de cimento, parecida com aquelas que encontramos nos parques de piqueniques. A miúda gótica sacou de uma faca de abrir envelopes com o formato de um punhal e mostrou-mo. De repente a brincadeira já não me pareceu tão divertida e percebi que era uma questão de minutos até aquilo dar para o torto. Ela deve ter percebido que eu me queria raspar dali visto que alterou a sua atitude para um pouco mais autoritária. Quando ela andava à procura de uma vítima para ser imolada no ritual, eu olhei para o portão que dava para a estrada principal e saí.
Tanto quanto sei estávamos em França. Portanto decidi seguir a estrada principal durante cerca de 50 metros. Era de noite e estava escuro. Não havia pessoas na rua. Passou apenas um carro com luzes acesas.
Ao fim de 50 metros vi uma placa que anunciava "Benvindo ao Luxemburgo". O que veio mesmo a calhar porque assim, a miúda gótica não podia exigir que eu fosse repatriado de modo a completar o ritual, nem podia tão pouco atravessar a fronteira de modo a praticar um crime.
Mesmo do lado direito da rua, junto à placa de boas vindas ao Luxemburgo estava uma estalagem. Um edifício com 2 andares de estilo Holandês antigo. Telefonei aos meus amigos que estavam na festa e convidei-os a virem para a estalagem, onde estariam a salvo de góticas psicopatas.

Subi as escadas da estalagem. Os meus amigos já lá estavam junto à recepção. Éramos cerca de 10 e íamos facilmente encher todos os quartos; que estavam disponíveis.
Depois de fazermos o registo entrou um tipo na porta principal. A porta principal ficava no piso térreo e nós estávamos no cimo de umas escadinhas estreitas que subiam até à recepção. Ele trazia uma mala cor verde tropa com dimensões invulgares. Tinha cerca de dois metros de comprimento, meio metro de largura e trinta centímetros de profundidade. Não faço ideia do que estava lá dentro, mas era ligeiramente pesada e complicada de transportar. O tipo, que com aspecto de estrangeiro, pretendia dormir uma noite na estalagem, tentou obter um quarto. Já não havia quartos livres.
Como não havia sítio na estalagem para ele dormir, e já estava muito escuro lá fora para ir à procura de sítio para pernoitar, optei por sugerir que partilhássemos o meu quarto, uma vez que eu tinha um quarto de duas camas e eu era apenas uma pessoa. Ele amavelmente agradeceu e encaminhámo-nos para o quarto que era mesmo ao lado da recepção.
Lá colocou a mala enorme no chão do quarto. Eu entrei de seguida e observei as paredes que estava cheia fotos e quadro de pequena dimensão. Tinha um piano vertical encostado na parede da porta de cor castanha.
Falei com ele em inglês. Perguntei-lhe de onde é que ele era. Ele disse: sou Americano-British-Canadiano. Concerteza, pensei eu. Então e o que é que você anda por aqui a fazer? De facto estou aqui para falar consigo. Comigo? Sim. Eu sou escritor e Li o seu blog dos sonhos e quero propor-lhe a compra dos seus textos.
Embora a compra dos meu blog parecesse conferir-me alguma importância. Eram os meus sonhos. E se os vendesse como que iria estar a vender o meu subconsciente, não apenas a descrição dele. E perguntei-lhe: Então e não vai sequer ter o meu nome como autor dos sonhos? Não, estou de facto com bloqueio de escritor e tenho o meu editor à perna; Preciso que seja em meu nome, e em língua Canadiana.
Fiquei a ponderar na venda. Acordei antes de tomar uma decisão. Mas acho que não ia vender.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Escadas do Castigo

Pois é, hoje a minha empresa queria despedir-me. Mas como não o podem fazer sem indemnização, decidiram aplicar a conhecida técnica da "sala do castigo"(1). Só que era uma técnica diferente: Em vez de me arrumarem numa sala vazia, sem janelas, sem pc, sem trabalho e sem pessoas com quem conversar; colocaram-me a trabalhar junto à Administração da Empresa. O que à primeira vista parece uma promoção. Não era.
Tinham-me informado que eu ia trabalhar junto à Administração. E eu pensei "Bacano, último andar, vista para o rio, ar puro, ambiente calminho, muita luz, grande sorte a minha". Entrei no edifício de manhã. Passei pela bancada do recepcionista que ficava do lado esquerdo. Era um hall de entrada grande e alto, com cerca de 5 metros de altura. Forrado a mármore cinzento e branco. Havia muita gente de fato escuro e sapatos polidos a caminhar no hall. Alguns dirigiam-se ao elevador. O elevador tinha uma porta muito larga e mais alta do que o costume. Havia uma controle de autorizações à porta do elevador. Um mecanismo electrónico de verificação da autorização da pessoa para usar o elevador. Acontece que quando as portas do elevador se abriram e me dirigi para o controle electrónico de entrada, verifiquei que não tinha acesso garantido. Aí fez-se luz. Não era uma promoção, queriam despedir-me.
Acontece que a Administração trabalha no 12º Andar do edifício. E as escadas são muito compridas. Eles não se iam limitar a colocar-me num sítio sozinho. Ia ficar sozinho, junto à Administração (portanto não podia fazer macacada. ex: aviões de papel) e eles obrigar-me-iam a subir e descer o edifício o dia todo. O pior é que estava de fato: ia transpirar imenso... e isso dá mau aspecto no local de trabalho.




(1) Hoje em dia quando as empresas (as empresas com gestores de má qualidade) querem despedir alguém que se encontra efectivo, e não querem pagar uma indemnização. Tiram todo o trabalho a essa pessoa, por vezes o pc, e por vezes até os colocam numa sala sozinhos - a "sala do castigo". O objectivo é que essa pessoa, quando se fartar da situação, se despeça - sem direito a cheque chorudo. By the way, isto é ilegal. Basta chamar a inspecção do trabalho.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Heróis em tempo de Guerra


Estávamos em guerra. Devia ser uma guerra valente, porque estávamos a viver numa comunidade em grandes cavernas no subsolo da cidade. Na caverna onde eu vivia, éramos mais de duzentos. O ambiente era escuro e húmido e nalgumas paredes havia iluminação de cor amarelada, o que trazia ao de cimo a cor de tijolo das paredes. Eu dormia numa pequena cova mais elevada junto a uma das paredes. A minha parte era escura, e avistava-se a saída da caverna que ficava mais elevada e trazia alguma luz do dia.
Nas cavernas havia caminhos secretos e túneis que alguns utilizavam para fugir ou para entrar e sair sem serem notados. Eu não conhecia nenhum desses caminhos.
Quando a guerra terminou, saímos do subsolo e voltámos a reconstruir as nossas vidas. Eu fui viver com os meus pais numa casa que eles alugaram ali para os lados do Saldanha em Lisboa. Um dos meus irmão também. A casa era num piso térreo. Era um apartamento de estilo antigo e pé alto. E estava algo degradado, não sei se pela guerra, se pelos anos. Calhou-me o melhor quarto. Era um quarto enorme com televisão, cama bastante alta, e junto à cama uma banheira das antigas. Imaginei-me imediatamente a tomar banho nessa banheira, a apanhar com luz de todas as quatro enormes janelas do quarto, e a ver televisão. Especialmente depois de viver em cavernas, isto ia-me saber muito bem. O meu irmão tinha um quarto mais pequeno, mas ele não se importava. O dos meus pais, era noutra ponta da casa. Felizmente a casa era mais ou menos no mesmo sítio onde eu vivia antigamente, o que veio mesmo a calhar, porque assim não precisava de mudar o dístico de estacionamento da Emel. O que seria bastante aborrecido dada a burocracia envolvida. Também me lembrei que provavelmente o meu carro já não estaria estacionado no mesmo sítio em que estava antes da guerra estalar. Mas se estivesse, não seria multado. Tinha o dístico.
Fui passear pela rua, ver as ruínas na cidade. E voltei ao grande átrio, que outrora tinha sido um hospital, e que dava acesso às cavernas onde há pouco tempo tinha estado a viver. O átrio do hospital estava completamente liso e danificado. As janelas grandes que se erguiam no alto deixavam entrar luz através dos vidros partidos, e iluminavam toda a cor branca e verde das paredes. No meio do átrio encontrei um rolo de fita adesiva das que se usam em pinturas. Agarrei-a.
Soube nesse momento que não era apenas uma fita de pintura normal. Esta concedia desejos. Qualquer desejo. E eu desejei imediatamente um super poder. Queria ser super rápido ou super forte. Julgo que fiquei com uma mistura dos dois poderes. Cada um deles a metade da força.
Houve alguém que nesse momento me estava a espreitar. Era uma criança, mas não consegui perceber bem quem era. Deixei a fita no mesmo lugar. Não me competia mudá-la de sítio. Comecei imediatamente a tirar partido da minha nova capacidade. Andei para aqui e para ali sempre bastante rápido, com o vento a bater-me na cara.
Como em todas as coisas boas, há sempre mais alguém a querer ou a evitar que os outros possam ter. Neste caso: o Governo Português. Ora parece que alguém foi indicar ao senhor Presidente da República, Cavaco Silva, que andava por aí uma fonte de super poderes. O que levantou o interesse do Governo nesta nova tecnologia que podia perfeitamente ser usada caso a guerra voltasse. Ou pelo menos evitar que caísse nas mãos de inimigos.
Muito rapidamente tive grupos do exército à minha procura. E tive de correr, bem rápido. Felizmente eu conseguia, bem rápido. Acabei por me esconder numa estalagem bem rasca no meio de Lisboa, numa zona que eu não conheço. Era uma estalagem antiga, mas com ares de já ter sido bonita e nova em tempos. Muito bem decorada com ornamentos nos tectos e com uma bela escadaria de tapete vermelho (sujo). Aluguei um quarto junto do responsável que estava de pé atrás da bancada do lado direito. O quarto era num piso alto, provavelmente o último, e tinha vista para a grande casa onde o Cavaco Silva estava protegido pelo exército. Ficava essa no cimo de um monte com arame farpado à volta. Eu via tudo isto de uma janela pequena do último andar da estalagem. Como não tinha dinheiro aproveitei para fazer alguns biscates na estalagem. Os trabalhadores não queriam mudar uma lâmpada no tecto da entrada, porque já alguém tinha morrido a tentar fazer o arranjo. Senti que tinha sido culpa minha, por não o ter feito mais cedo. Poderia ter poupado a vida a alguém. Era uma lâmpada difícil de mudar porque estava bem no alto, e num canto. Ficava-se em desequilíbrio no cimo do escadote. Eu subi, mudei a lâmpada, e desequilibrei-me, vi a minha vida toda a passar num flash rápido, e no último momento dei um pulo do escadote para que a queda fosse terminar no tapete vermelho (sujo), em vez dos degraus onde outrora o trabalhador francês tinha caído. Caí no tapete, levantei-me e a restante equipa de trabalhadores (franceses) enquanto fumavam cigarros enrolados e me olhavam, falaram entre dentes a resmungar do meu acto. Não gostava particularmente de mim, pensavam que eu era americano: por causa da pose heróica. Aproveitei ainda nesse dia para consertar umas escadas velhas, que já tinha ouvido falar antigamente através de um colega de trabalho que já lá tinha estado.
Depois dos biscates terminados, voltei ao átrio do hospital velho. Estava sinistramente vazio. Voltei a aproximar-me da fita, porque queria mais experimentar pedir mais um poder, para poder voar, e mais facilmente fugir ao exército. Não sabia se a fita me poderia conceder vários desejos. Mas não perdia nada em experimentar.
Quando agarrei a fita e pedi o desejo, apareceu um militar de metralhadora a ordenar-me que ficasse quieto. Continuei agarrado à fita mas o desejo demorava um pouco a tornar-se realidade, até que me deram um pontapé na mão para me afastar do objecto. O militar agarrou a fita, pediu um poder e ficou super forte. Duas vezes mais forte do que eu. Ele percebeu imediatamente isso, porque largou a arma, o capacete e o casaco. Tinha o cabelo grisalho e curto, e queixo enorme. Avizinha-se uma bela cena de pancadaria, onde ele, duas vezes mais forte do que eu, iria assegurar que eu levava duas vezes mais porrada.
A cena de pancada foi curta. Ele deu-me um pontapé, eu voei ao encontro de uma parede e fiquei quieto no chão. Nisto, o Cavaco Silva entra ao fundo a observar a cena. Preparando-se para autorizar que o gorila dele terminasse o tratamento. Comentou que não podia deixar que anormais como eu andassem por aí exibindo capacidades contra natura. Eu não comentei. Limitei a usar a minha capacidade anti natura e corri dali para fora. Eles certamente não esperavam que eu conseguisse fugir dali. E fugi por um túnel que apareceu a meio caminho da fuga, um dos caminhos secretos das cavernas. Este caminho foi dar a salas antigas, e depois à rua.
Da estalagem avistava a casa da presidência. Fui tentar resolver a questão pelas próprias mãos, e corri muito rapidamente até ao arame farpado. Estava também a planear a mesma coisa um grupo de ciganos que estavam sentados junto ao arame farpado. Era impossível de entrar na casa. Um dos ciganos rapidamente me avisou "Ei, está um atirador furtivo a apontar para ti, do cimo daquele prédio.". Olhei apenas para confirmar. Era verdade, e isto confirmava também que o Presidente estava à espera que eu ali passasse. Estava montada uma cilada. Consegui correr antes da bala bater no chão de relva onde eu estava. Fugi. E consegui voar. Voei para cima. O poder tinha sido descarregado da fita para mim. Estava montada a minha saída estratégica. Não voltei mais a Lisboa.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Mudança de casa

Há umas semanas tive este:

Fui fazer uma viagem de carro mais a minha namorada. Tínhamos um carro branco tipo renault 5. Ia carregado com malas e cobertores no tejadilho. E deve ter sido uma viagem grande porque quando saímos do carro estávamos na Suécia.
O bairro onde estacionámos o carro parecia um bairro social português. Prédios claros todos iguais e ruas amplas e razoavelmente feias. Não havia jardins cuidados, nem jardins tão pouco, embora existissem nos passeios espaços designados para plantação de flores ou relva.
Na direita de um dos prédios que faziam esquina no fim de rua, estavam dois putos a jogar à bola. Estavam vestidos com fatos de treino cinzentos. Não nos ligaram muito.
Como estava a anoitecer (no céu já de si cinzento) disse à minha namorada: "Está a ficar de noite, não temos onde dormir, portanto é melhor irmos comprar uma casa."
Assim foi. Dirigimo-nos ao prédio que fazia esquina no fim de rua e batemos à porta. Esta porta tinha o aspecto de não ser uma porta de um prédio, mas pelo seu aspecto de madeira com um vidro no meio, e cortinados da parte de dentro, dava a sensação que se tratava do acesso principal para dentro do apartamento. Na porta e nas janelas existiam cartazes de uma imobiliária que anunciavam a venda deste imóvel. Enquanto esperava uma resposta do lado de dentro da porta, examinei os cartazes com algum desdém. Abriu um senhor de fato acastanhado (estilo anos 80) careca, branquinho e cabelo castanho escuro. Estava acompanhado por um colega. Eram os dois vendedores da imobiliária. Entrámos.
A porta da rua dava de facto para dentro de casa. Era a cozinha. Era pequena. Tinha um frigorífico ao canto e um fogão à esquerda e um balcão pequeno em frente. À direita estava uma abertura para o resto da casa. Pensei que era bom estar já mobilada e equipada, visto que não tínhamos trazido mobília no carro.
Passámos à divisão adjacente à cozinha. Era uma sala de estar, sem tv. Notava-se que era uma casa antiga e com pouco espaço. Mas para duas pessoas servia bem. Havia um sofá, tipo cama. junto à parede do lado esquerdo. Tinha mantas axadrezadas por cima. vermelhas e pretas. Pareceu um bocado aborrecida a questão das mantas visto que tenho algumas alergias ao pó. Continuámos e subimos para o andar de cima onde ficava o quarto. Quarto pequeno, mas a minha atenção ficou logo focada na janela. Pela janela eu via os putos que estavam a jogar à bola na rua. E da janela também via uma goteira que descia desde o alto do prédio e desembocava junto a este vidro do quarto. O que em dias de chuva iria fazer algum barulho de gotas. E disse: "Isto para os standards da Suécia é inaceitável. Isto vai fazer barulho de gotas.". Os vendedores, como bons suecos que são, tiveram de concordar e acrescentaram que de facto esse era o defeito da casa, e estavam com dificuldades na venda precisamente por esse facto. Viemos embora prometendo que íamos pensar no assunto e brevemente entregaríamos uma resposta.
Já na rua encontrei um amigo de infância, o Gilberto. Ora o Gilberto vivia na Suécia. O que se provou agradável visto que uma vez que estávamos a comprar casa na Suécia, não só seria uma ajuda para os primeiros tempos. Como é sempre agradável ter alguém conhecido numa terra distante. Fomos então para a praia, muito soalheira por sinal, e muito parecida com a Caparica junto à zona da praia do barbas. Excepto que a praia era mais ampla e bonita. Estavam uma ondas porreiras e fomos fazer surf. A minha Namorada já tinha ido à vida dela, na Suécia, o que quer que isso seja.
Nisto deflagra um fogo num apartamento dos prédios junto à praia. Ficámos a olhar e a observar o ritmo dos acontecimentos. Já estava maré vazia e havia muita gente a passear na areia ainda molhada e lisa. Olho para a direcção do mar e passa um insuflável de um pinto amarelo gigante a rebolar na areia sob a força do vento. Agarrei o pássaro insuflável, e como é óbvio tive de ir para dentro de água surfar umas ondas montando no bicho. Foi um fim de tarde bastante agradável, na Suécia.