sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Guerra e Paz.... e pilhagem


Ora bem, estávamos na época pré-segunda-guerra mundial. Eu vivia com os meus pais num belo apartamento num estúdio no último andar de um edifício com pinta nova-iorquina. Era um apartamento tão porreiro que permitia-me entrar tarde e a más horas em casa sem que ninguém desse por isso, bastando para tal, percorrer uns quantos telhados de prédios contíguos e entrar para o meu quarto através do terraço do prédio.
O Terraço do prédio estava muito bem decorado segundo os padrões dos dias de hoje, um belo sofá amarelo de jardim, num deck de madeira, com árvores pequenas e pedras bonitas: o conjunto completo. Por ser um terraço tão porreiro, a minha irmã e o namorado dela, e os dois filhos dela, iam frequentemente lá para cima passar o tempo, quando o tinham. Eu não gostava particularmente do namorado da minha irmã, porque era namorado da minha irmã, e os irmãos nunca gostam dos namorados das irmãs. Contudo era um tipo bacano.
Entretanto a segunda guerra estala. E eu embora não sendo alemão, fui recrutado por eles. Mas como não era alemão, não podia ser oficial. Então confinaram-me a moço de recados, em que neste caso o recado principal era: pilhar tudo o que eu encontrasse, e que fosse giro. Bombas, munições, mísseis, capacetes, espingardas, prata, ouro, colares, pulseiras, taças e outros artigos que encaixassem na categoria de "giro".
Andávamos de terra em terra na guerra. E eu sendo o lacaio de um oficial de patente superior, tinha de andar sempre atrás dele a pilhar tudo o que encontrava. Vasculhava as casas que já tinham sofrido com ataques de bombas ou de milícias, e frequentemente encontrava granadas, obuses e outros artigos de guerra que dariam uma bela colecção no futuro.
Para guardar todos estes artigos existia um armário de madeira grande, com portas envidraçadas, atrás das quais se podia vislumbrar toda a colecção que eu andava a angariar.
Terminada a guerra, eu tinha conseguido sair muito bem entre os pingos da chuva e tinha chegado vivo ao fim da guerra.
Para celebrar o fim da guerra, foi organizado um evento estilo "jogos sem fronteiras". Eu como estava cheio de energia e cheio de vontade de celebrar decidi participar nas provas de perícia e resistência.
Havia uma prova de natação em que decidi participar, vesti a touca e pus os óculos na cabeça. Estava junto a uma das paredes da piscina e numa das pistas do meio. Do lado esquerdo vi uma parede de escalada artificial, e havia 2 ou 3 pessoas a descerem a parede em rappel. Ao meu lado direito saltou uma concorrente para dentro de água. Tinha o cabelo solto e um fato de banho feminino preto justo. Era nada mais nada menos do que a Sandra Bullock. Foi aí que percebi que já tudo estava bem no mundo.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Passeio de mota

Andei a passear de mota.

Vinha de uma festa citadina. Era uma festa no alto de uma torre, tinha um bar, sofás, pessoas, bebidas. O sofá era de pele branco e as luzes era de tons azuis. Tudo muito giro.
A festa terminou e fomos embora: Eu e a minha namorada. Ainda a mota estava parada fui dar uma volta a pé até à esquina e voltei. E nesse período de tempo há um cromo qualquer que decide mandar-se do alto da torre e estatelar-se no chão. Ora a minha namorada viu tudo e contou-me o sucedido. Era um momento trágico, estava tudo sujo no chão. Provavelmente o senhor estava deprimido com o emprego, visto que ainda estava de fato escuro e gabardina clara - e já era tarde.
Fomos então embora, de mota. Percorremos uma avenida num sentido, e no fundo invertemos o sentido. Logo a seguir à inversão do sentido parámos num semáforo. Era uma daquelas avenidas com três sentidos para cada lado. Havia carros de gama familiar à nossa volta e não havia carros em frente. A iluminação era razoável e até dava para ver bem em frente.
Assim que ficou verde no semáforo acelerei para aproveitar a recta e o espaço vazio de carros. Assim que terminei a recta reparei que a minha namorada já não se encontrava sobre a mota - o que provocou algum pânico em mim a pensar que ela tinha caído em andamento e eu não tinha dado por nada.
No fim da avenida contornei uma rotunda e voltei rapidamente - curiosamente em contra mão, mas não havia proibição assinalada! - Não a vi pelo chão, o que representou algum alívio. Estava ela de pé ainda no semáforo na outra ponta da avenida. Aparentemente quando eu acelerei, ela estava distraída a olhar para o ar, não se segurou a mim, e no momento da aceleração, ficou no mesmo sítio, de pé.
Quando parei junto a ela, contou-me mais um momento trágico. Um tipo desvairado, aproveitou o sinal vermelho do semáforo, colocou-se em frente aos carros, e pessoas que por ali estavam, apontou uma pistola de pequeno calibre à cabeça, e pôs termo à vida, mas não sem antes dar uns gritos de desespero.
Ainda ali imaginei-me na pele dele, a viver todo o momento e aflição e a premir o gatilho, ameaçando ainda algumas pessoas que me tentavam demover.
Estava a ser uma noite jeitosa. Então fomos embora: para casa - desta vez os dois em cima da mota.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Condução Nocturna


Um dia destes fui ver um concerto à noite com uns amigos. Estava frio acima de muito. Na vinda para Lisboa ligou-se o aquecimento e eu no banco de trás adormeci que nem uma menina. Mais ou menos na altura em que adormeci estávamos a atravessar uma ponte qualquer ali na zona do Cartaxo. E poucos minutos depois abri os olhos e reparei que continuava a chover a cântaros, a estrada continuava a ter três vias, nós seguíamos na do meio, mas não havia qualquer iluminação senão aquela que vinha dos faróis do carro. Toda a gente tinha adormecido menos o condutor.
Neste momento o carro sai da faixa do meio em direcção à direita e constato que o condutor também tinha adormecido. E eu digo "oh!" em voz alta de modo a tentar acordar o piloto. Mas ele já estava para lá desse ponto. Então claramente que me restava apenas a opção de o tentar acordar de modo mais brusco. Então cheguei-me um pouco à frente e empurro o braço direito dele e digo "olha aí!!!!" como quem já antevê a pancada a alta velocidade no meio da chuva numa noite de inverno no meio de uma estrada escura e deserta.
Nesse momento o condutor diz-me qualquer coisa como: "O que é?". Aí realmente abro os olhos, largo o braço dele e vejo que estou na A1, iluminada, carros à volta, a chuviscar. Toda a gente acordou em pânico com os meus gritos de alerta. Percebo o que se passou e começo a rir sozinho enquanto exclamo "eh eh que cena lixada". O condutor ainda sem perceber o que se passou, e porque razão lhe abanei o braço com força enquanto gritava "olha aí!!!!" pensa que eu vi qualquer coisa na estrada de timbre perigoso à qual escapámos por pouco. Mas não... era só eu a sonhar. Foi um bom concerto.

domingo, 30 de novembro de 2008

Guantanamo Star Galactica Wars


Estive a acampar. Estava num terra tipo trás-os-montes em que as encostas são íngremes. E na inclinação das encostas aproveitam-se pequenos patamares para fazer cultivo, ou no nosso caso, para montar as tendas.
Éramos um grupo de escuteiros que ali estávamos com acampamento montado. Havia malta de todas as idades e feitios. Havia tendas de várias cores, embora sendo de noite, já bem escura não fosse possível distinguir bem os formatos e cores das tendas que estavam mais longe.
Eu estava no sopé da encosta onde o acampamento estava montado. Eu reparava que havia movimento de pessoas lá mais para cima, mas não conseguia distinguir com clareza o que se passava. Provavelmente estariam a preparar jantar. Cá em baixo havia uma mesa montada num tripé quadrangular. Não estava lá ninguém sentado. Por isso deduzi que fosse necessário também, cá em baixo, preparar o jantar.
Como não havia comida tratei de ir na vizinhança procurar por algo que desse para desenrascar a refeição.
Acontece que ali mesmo ao pé, havia um forte, um edifício com estatura prisional. À volta só se viam árvores a cerca de cem metros de distância das paredes exteriores deste forte. Estava iluminado de forma fraca por fora, mas via-se claridade branca que emanava do interior para o céu. A parede exterior era construída sem janelas, sem portas e com um ar de construção do deserto. Parecia ser parede de argila de cor amarelada. Ora ali provavelmente deveria haver comida. O que não havia era forma de entrar. Reparei que mais ao alto existiam uns buracos na parede suficientemente grandes para deixar que a água das chuvas corresse para o exterior, mas suficientemente pequeno para evitar que alguém ou algo entrasse.
No entanto eu surpreendi-me a mim mesmo ao dar um salto para este buraco e entrar como que se o meu corpo se deformasse de forma elástica. Consegui esticar-me o suficiente para que conseguisse inteiramente entrar para dentro do forte por um buraco de vinte centímetros quadrados. Fiquei surpreendido por três razões. Primeiro porque não era normal alguém conseguir saltar a uma altura de quatro metros. Depois porque mesmo saltando não era normal eu conseguir deformar o meu corpo de forma elástica e passar por um buraco de parede. E por último porque entendi qual era o objectivo deste forte. Era uma prisão. Uma prisão de cariz militar.
Este forte representava aquilo que seria o Guantanamo para aliens. Eu tinha conseguido entrar portanto numa prisão altamente segura com conteúdo altamente invulgar: presos intergalácticos.
Não me perdi com detalhes, e passei ao objectivo que me levava ali. A comida. Eu precisava de comida para mim e mais quatro que me aguardavam no acampamento. Felizmente o buraco da parede por onde tinha entrado dava para uma zona mais resguardada do forte, e por isso menos vigiada. Havia caixotes e contentores de várias formas. E eu esgueirei-me a rastejar de modo a passar camuflado até ao frigorífico que rapidamente consegui descobrir, no meio dos caixotes.
Era um frigorífico comum, branco, de tipo combinado. Aproveitei para tirar umas bebidas frescas, estava calor. E tirei um coelho já sem pele, pronto a ser posto na panela. Antevia-se um belo petisco.
Voltei pelo mesmo caminho, a rastejar, com as garrafas frescas numa mão e o coelho noutra. Passei pelo buraco da parede, saltei para o chão e corri de volta ao acampamento.
Já junto dos meus amigos, a fazer um brilharete com a história da aventura, lhes entreguei os mantimentos que tinha recolhido no forte. Sim senhor acharam piada à história, mas as bebidas frescas era poucas e teria de lá voltar para trazer mais duas garrafas de refrigerante.
Lá voltei a correr, pulei para o buraco, estiquei o corpo, entrei, rastejei, cheguei ao frigorífico, tirei duas garrafas, rastejei de novo, e... acendeu-se um foco de luz que iluminava os caixotes da zona onde eu estava. Vi um marine americano com farda de deserto e arma ao peito à procura da origem do barulho. Com não estava para apanhar um tiro, ou no limite ficar preso no forte junto dos outros esquisitóides, rapidamente voltei a sair pelo buraco e saltei para o chão.
Quando aterro no chão percebo que há sarilho, há montes de gente na zona entre a parede exterior do forte e as árvores. Marines, civis, malta diversa. E nisto eis que aterra uma belíssima nave interestelar com formato comprido e pontas arredondadas. Lembrava bastante a nave do startrek, mas mais sofisticada. Afastei-me da zona onde a nave iria aterrar, juntos às outras pessoas.
A nave aterrou perto de mim, e não era tão grande como aparentava. Quem a comandava era o Adama, do battlestar galactica.
Estava ele mesmo aos comandos desta nave, dentro de uma pequeníssima cúpula de vidro mesmo na ponta da nave. Existia uma segunda cúpula de vidro ainda mais na ponta, mas ninguém vinha lá dentro. E nesse momento olho para o lado e quem ali estava ombro a ombro comigo a olhar para o Adama era o XO Saul, também do battlestar galactica. O Adama convidou o Saul a ir dar uma voltinha na nave ao que ele prontamente aceitou. Eu preferia que ele me tivesse convidado a mim, mas compreendi, afinal eles já eram amigos há muitos anos. Fiquei ali a olhar, com os refrescos na mão.
Para complicar as coisas, no canto inferior direito do meu plano de visão apareceu uma janelinha do messenger que informava "Darth Vader has signed in to messenger" Inclusivamente antes do nick dele havia uma símbolozinho com o capacete do darth vader. Isto só podia significar sarilhos. Virei-me para o Adama e como quem sabe algo que os outros não sabem profetizei: Sinto um distúrbio na Força.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A noite em que quase vendi o blog...


Era noite de halloween e estavam uma série de pessoas numa casa grande estilo vivenda apenas com piso térreo. Esta casa tinha uma série de divisões todas cheias de gente divertida e sobretudo bêbeda. Lembro-me que pela quantidade de álcool que ali estava concentrada começámos a delinear estratégias de realização de actos parvos. Como por exemplo fazer bombinhas. No entanto uma rapariga vestida de preto, estilo gótica deprimida optou por sugerir emularmos uma cena ritual de sacrifício. Pareceu divertido, por isso toca a preparar a brincadeira.
Saímos pela porta da frente para o jardim. Havia uma zona grande verde de um dos lados da casa. Na parte da frente havia apenas um pouco de relva, plantas diversas e flores de jardim. Depois estava a vedação, o passeio da rua e a estrada principal. Na parte do jardim grande, havia perto de uma árvore uma mesa de cimento, parecida com aquelas que encontramos nos parques de piqueniques. A miúda gótica sacou de uma faca de abrir envelopes com o formato de um punhal e mostrou-mo. De repente a brincadeira já não me pareceu tão divertida e percebi que era uma questão de minutos até aquilo dar para o torto. Ela deve ter percebido que eu me queria raspar dali visto que alterou a sua atitude para um pouco mais autoritária. Quando ela andava à procura de uma vítima para ser imolada no ritual, eu olhei para o portão que dava para a estrada principal e saí.
Tanto quanto sei estávamos em França. Portanto decidi seguir a estrada principal durante cerca de 50 metros. Era de noite e estava escuro. Não havia pessoas na rua. Passou apenas um carro com luzes acesas.
Ao fim de 50 metros vi uma placa que anunciava "Benvindo ao Luxemburgo". O que veio mesmo a calhar porque assim, a miúda gótica não podia exigir que eu fosse repatriado de modo a completar o ritual, nem podia tão pouco atravessar a fronteira de modo a praticar um crime.
Mesmo do lado direito da rua, junto à placa de boas vindas ao Luxemburgo estava uma estalagem. Um edifício com 2 andares de estilo Holandês antigo. Telefonei aos meus amigos que estavam na festa e convidei-os a virem para a estalagem, onde estariam a salvo de góticas psicopatas.

Subi as escadas da estalagem. Os meus amigos já lá estavam junto à recepção. Éramos cerca de 10 e íamos facilmente encher todos os quartos; que estavam disponíveis.
Depois de fazermos o registo entrou um tipo na porta principal. A porta principal ficava no piso térreo e nós estávamos no cimo de umas escadinhas estreitas que subiam até à recepção. Ele trazia uma mala cor verde tropa com dimensões invulgares. Tinha cerca de dois metros de comprimento, meio metro de largura e trinta centímetros de profundidade. Não faço ideia do que estava lá dentro, mas era ligeiramente pesada e complicada de transportar. O tipo, que com aspecto de estrangeiro, pretendia dormir uma noite na estalagem, tentou obter um quarto. Já não havia quartos livres.
Como não havia sítio na estalagem para ele dormir, e já estava muito escuro lá fora para ir à procura de sítio para pernoitar, optei por sugerir que partilhássemos o meu quarto, uma vez que eu tinha um quarto de duas camas e eu era apenas uma pessoa. Ele amavelmente agradeceu e encaminhámo-nos para o quarto que era mesmo ao lado da recepção.
Lá colocou a mala enorme no chão do quarto. Eu entrei de seguida e observei as paredes que estava cheia fotos e quadro de pequena dimensão. Tinha um piano vertical encostado na parede da porta de cor castanha.
Falei com ele em inglês. Perguntei-lhe de onde é que ele era. Ele disse: sou Americano-British-Canadiano. Concerteza, pensei eu. Então e o que é que você anda por aqui a fazer? De facto estou aqui para falar consigo. Comigo? Sim. Eu sou escritor e Li o seu blog dos sonhos e quero propor-lhe a compra dos seus textos.
Embora a compra dos meu blog parecesse conferir-me alguma importância. Eram os meus sonhos. E se os vendesse como que iria estar a vender o meu subconsciente, não apenas a descrição dele. E perguntei-lhe: Então e não vai sequer ter o meu nome como autor dos sonhos? Não, estou de facto com bloqueio de escritor e tenho o meu editor à perna; Preciso que seja em meu nome, e em língua Canadiana.
Fiquei a ponderar na venda. Acordei antes de tomar uma decisão. Mas acho que não ia vender.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Escadas do Castigo

Pois é, hoje a minha empresa queria despedir-me. Mas como não o podem fazer sem indemnização, decidiram aplicar a conhecida técnica da "sala do castigo"(1). Só que era uma técnica diferente: Em vez de me arrumarem numa sala vazia, sem janelas, sem pc, sem trabalho e sem pessoas com quem conversar; colocaram-me a trabalhar junto à Administração da Empresa. O que à primeira vista parece uma promoção. Não era.
Tinham-me informado que eu ia trabalhar junto à Administração. E eu pensei "Bacano, último andar, vista para o rio, ar puro, ambiente calminho, muita luz, grande sorte a minha". Entrei no edifício de manhã. Passei pela bancada do recepcionista que ficava do lado esquerdo. Era um hall de entrada grande e alto, com cerca de 5 metros de altura. Forrado a mármore cinzento e branco. Havia muita gente de fato escuro e sapatos polidos a caminhar no hall. Alguns dirigiam-se ao elevador. O elevador tinha uma porta muito larga e mais alta do que o costume. Havia uma controle de autorizações à porta do elevador. Um mecanismo electrónico de verificação da autorização da pessoa para usar o elevador. Acontece que quando as portas do elevador se abriram e me dirigi para o controle electrónico de entrada, verifiquei que não tinha acesso garantido. Aí fez-se luz. Não era uma promoção, queriam despedir-me.
Acontece que a Administração trabalha no 12º Andar do edifício. E as escadas são muito compridas. Eles não se iam limitar a colocar-me num sítio sozinho. Ia ficar sozinho, junto à Administração (portanto não podia fazer macacada. ex: aviões de papel) e eles obrigar-me-iam a subir e descer o edifício o dia todo. O pior é que estava de fato: ia transpirar imenso... e isso dá mau aspecto no local de trabalho.




(1) Hoje em dia quando as empresas (as empresas com gestores de má qualidade) querem despedir alguém que se encontra efectivo, e não querem pagar uma indemnização. Tiram todo o trabalho a essa pessoa, por vezes o pc, e por vezes até os colocam numa sala sozinhos - a "sala do castigo". O objectivo é que essa pessoa, quando se fartar da situação, se despeça - sem direito a cheque chorudo. By the way, isto é ilegal. Basta chamar a inspecção do trabalho.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Heróis em tempo de Guerra


Estávamos em guerra. Devia ser uma guerra valente, porque estávamos a viver numa comunidade em grandes cavernas no subsolo da cidade. Na caverna onde eu vivia, éramos mais de duzentos. O ambiente era escuro e húmido e nalgumas paredes havia iluminação de cor amarelada, o que trazia ao de cimo a cor de tijolo das paredes. Eu dormia numa pequena cova mais elevada junto a uma das paredes. A minha parte era escura, e avistava-se a saída da caverna que ficava mais elevada e trazia alguma luz do dia.
Nas cavernas havia caminhos secretos e túneis que alguns utilizavam para fugir ou para entrar e sair sem serem notados. Eu não conhecia nenhum desses caminhos.
Quando a guerra terminou, saímos do subsolo e voltámos a reconstruir as nossas vidas. Eu fui viver com os meus pais numa casa que eles alugaram ali para os lados do Saldanha em Lisboa. Um dos meus irmão também. A casa era num piso térreo. Era um apartamento de estilo antigo e pé alto. E estava algo degradado, não sei se pela guerra, se pelos anos. Calhou-me o melhor quarto. Era um quarto enorme com televisão, cama bastante alta, e junto à cama uma banheira das antigas. Imaginei-me imediatamente a tomar banho nessa banheira, a apanhar com luz de todas as quatro enormes janelas do quarto, e a ver televisão. Especialmente depois de viver em cavernas, isto ia-me saber muito bem. O meu irmão tinha um quarto mais pequeno, mas ele não se importava. O dos meus pais, era noutra ponta da casa. Felizmente a casa era mais ou menos no mesmo sítio onde eu vivia antigamente, o que veio mesmo a calhar, porque assim não precisava de mudar o dístico de estacionamento da Emel. O que seria bastante aborrecido dada a burocracia envolvida. Também me lembrei que provavelmente o meu carro já não estaria estacionado no mesmo sítio em que estava antes da guerra estalar. Mas se estivesse, não seria multado. Tinha o dístico.
Fui passear pela rua, ver as ruínas na cidade. E voltei ao grande átrio, que outrora tinha sido um hospital, e que dava acesso às cavernas onde há pouco tempo tinha estado a viver. O átrio do hospital estava completamente liso e danificado. As janelas grandes que se erguiam no alto deixavam entrar luz através dos vidros partidos, e iluminavam toda a cor branca e verde das paredes. No meio do átrio encontrei um rolo de fita adesiva das que se usam em pinturas. Agarrei-a.
Soube nesse momento que não era apenas uma fita de pintura normal. Esta concedia desejos. Qualquer desejo. E eu desejei imediatamente um super poder. Queria ser super rápido ou super forte. Julgo que fiquei com uma mistura dos dois poderes. Cada um deles a metade da força.
Houve alguém que nesse momento me estava a espreitar. Era uma criança, mas não consegui perceber bem quem era. Deixei a fita no mesmo lugar. Não me competia mudá-la de sítio. Comecei imediatamente a tirar partido da minha nova capacidade. Andei para aqui e para ali sempre bastante rápido, com o vento a bater-me na cara.
Como em todas as coisas boas, há sempre mais alguém a querer ou a evitar que os outros possam ter. Neste caso: o Governo Português. Ora parece que alguém foi indicar ao senhor Presidente da República, Cavaco Silva, que andava por aí uma fonte de super poderes. O que levantou o interesse do Governo nesta nova tecnologia que podia perfeitamente ser usada caso a guerra voltasse. Ou pelo menos evitar que caísse nas mãos de inimigos.
Muito rapidamente tive grupos do exército à minha procura. E tive de correr, bem rápido. Felizmente eu conseguia, bem rápido. Acabei por me esconder numa estalagem bem rasca no meio de Lisboa, numa zona que eu não conheço. Era uma estalagem antiga, mas com ares de já ter sido bonita e nova em tempos. Muito bem decorada com ornamentos nos tectos e com uma bela escadaria de tapete vermelho (sujo). Aluguei um quarto junto do responsável que estava de pé atrás da bancada do lado direito. O quarto era num piso alto, provavelmente o último, e tinha vista para a grande casa onde o Cavaco Silva estava protegido pelo exército. Ficava essa no cimo de um monte com arame farpado à volta. Eu via tudo isto de uma janela pequena do último andar da estalagem. Como não tinha dinheiro aproveitei para fazer alguns biscates na estalagem. Os trabalhadores não queriam mudar uma lâmpada no tecto da entrada, porque já alguém tinha morrido a tentar fazer o arranjo. Senti que tinha sido culpa minha, por não o ter feito mais cedo. Poderia ter poupado a vida a alguém. Era uma lâmpada difícil de mudar porque estava bem no alto, e num canto. Ficava-se em desequilíbrio no cimo do escadote. Eu subi, mudei a lâmpada, e desequilibrei-me, vi a minha vida toda a passar num flash rápido, e no último momento dei um pulo do escadote para que a queda fosse terminar no tapete vermelho (sujo), em vez dos degraus onde outrora o trabalhador francês tinha caído. Caí no tapete, levantei-me e a restante equipa de trabalhadores (franceses) enquanto fumavam cigarros enrolados e me olhavam, falaram entre dentes a resmungar do meu acto. Não gostava particularmente de mim, pensavam que eu era americano: por causa da pose heróica. Aproveitei ainda nesse dia para consertar umas escadas velhas, que já tinha ouvido falar antigamente através de um colega de trabalho que já lá tinha estado.
Depois dos biscates terminados, voltei ao átrio do hospital velho. Estava sinistramente vazio. Voltei a aproximar-me da fita, porque queria mais experimentar pedir mais um poder, para poder voar, e mais facilmente fugir ao exército. Não sabia se a fita me poderia conceder vários desejos. Mas não perdia nada em experimentar.
Quando agarrei a fita e pedi o desejo, apareceu um militar de metralhadora a ordenar-me que ficasse quieto. Continuei agarrado à fita mas o desejo demorava um pouco a tornar-se realidade, até que me deram um pontapé na mão para me afastar do objecto. O militar agarrou a fita, pediu um poder e ficou super forte. Duas vezes mais forte do que eu. Ele percebeu imediatamente isso, porque largou a arma, o capacete e o casaco. Tinha o cabelo grisalho e curto, e queixo enorme. Avizinha-se uma bela cena de pancadaria, onde ele, duas vezes mais forte do que eu, iria assegurar que eu levava duas vezes mais porrada.
A cena de pancada foi curta. Ele deu-me um pontapé, eu voei ao encontro de uma parede e fiquei quieto no chão. Nisto, o Cavaco Silva entra ao fundo a observar a cena. Preparando-se para autorizar que o gorila dele terminasse o tratamento. Comentou que não podia deixar que anormais como eu andassem por aí exibindo capacidades contra natura. Eu não comentei. Limitei a usar a minha capacidade anti natura e corri dali para fora. Eles certamente não esperavam que eu conseguisse fugir dali. E fugi por um túnel que apareceu a meio caminho da fuga, um dos caminhos secretos das cavernas. Este caminho foi dar a salas antigas, e depois à rua.
Da estalagem avistava a casa da presidência. Fui tentar resolver a questão pelas próprias mãos, e corri muito rapidamente até ao arame farpado. Estava também a planear a mesma coisa um grupo de ciganos que estavam sentados junto ao arame farpado. Era impossível de entrar na casa. Um dos ciganos rapidamente me avisou "Ei, está um atirador furtivo a apontar para ti, do cimo daquele prédio.". Olhei apenas para confirmar. Era verdade, e isto confirmava também que o Presidente estava à espera que eu ali passasse. Estava montada uma cilada. Consegui correr antes da bala bater no chão de relva onde eu estava. Fugi. E consegui voar. Voei para cima. O poder tinha sido descarregado da fita para mim. Estava montada a minha saída estratégica. Não voltei mais a Lisboa.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Mudança de casa

Há umas semanas tive este:

Fui fazer uma viagem de carro mais a minha namorada. Tínhamos um carro branco tipo renault 5. Ia carregado com malas e cobertores no tejadilho. E deve ter sido uma viagem grande porque quando saímos do carro estávamos na Suécia.
O bairro onde estacionámos o carro parecia um bairro social português. Prédios claros todos iguais e ruas amplas e razoavelmente feias. Não havia jardins cuidados, nem jardins tão pouco, embora existissem nos passeios espaços designados para plantação de flores ou relva.
Na direita de um dos prédios que faziam esquina no fim de rua, estavam dois putos a jogar à bola. Estavam vestidos com fatos de treino cinzentos. Não nos ligaram muito.
Como estava a anoitecer (no céu já de si cinzento) disse à minha namorada: "Está a ficar de noite, não temos onde dormir, portanto é melhor irmos comprar uma casa."
Assim foi. Dirigimo-nos ao prédio que fazia esquina no fim de rua e batemos à porta. Esta porta tinha o aspecto de não ser uma porta de um prédio, mas pelo seu aspecto de madeira com um vidro no meio, e cortinados da parte de dentro, dava a sensação que se tratava do acesso principal para dentro do apartamento. Na porta e nas janelas existiam cartazes de uma imobiliária que anunciavam a venda deste imóvel. Enquanto esperava uma resposta do lado de dentro da porta, examinei os cartazes com algum desdém. Abriu um senhor de fato acastanhado (estilo anos 80) careca, branquinho e cabelo castanho escuro. Estava acompanhado por um colega. Eram os dois vendedores da imobiliária. Entrámos.
A porta da rua dava de facto para dentro de casa. Era a cozinha. Era pequena. Tinha um frigorífico ao canto e um fogão à esquerda e um balcão pequeno em frente. À direita estava uma abertura para o resto da casa. Pensei que era bom estar já mobilada e equipada, visto que não tínhamos trazido mobília no carro.
Passámos à divisão adjacente à cozinha. Era uma sala de estar, sem tv. Notava-se que era uma casa antiga e com pouco espaço. Mas para duas pessoas servia bem. Havia um sofá, tipo cama. junto à parede do lado esquerdo. Tinha mantas axadrezadas por cima. vermelhas e pretas. Pareceu um bocado aborrecida a questão das mantas visto que tenho algumas alergias ao pó. Continuámos e subimos para o andar de cima onde ficava o quarto. Quarto pequeno, mas a minha atenção ficou logo focada na janela. Pela janela eu via os putos que estavam a jogar à bola na rua. E da janela também via uma goteira que descia desde o alto do prédio e desembocava junto a este vidro do quarto. O que em dias de chuva iria fazer algum barulho de gotas. E disse: "Isto para os standards da Suécia é inaceitável. Isto vai fazer barulho de gotas.". Os vendedores, como bons suecos que são, tiveram de concordar e acrescentaram que de facto esse era o defeito da casa, e estavam com dificuldades na venda precisamente por esse facto. Viemos embora prometendo que íamos pensar no assunto e brevemente entregaríamos uma resposta.
Já na rua encontrei um amigo de infância, o Gilberto. Ora o Gilberto vivia na Suécia. O que se provou agradável visto que uma vez que estávamos a comprar casa na Suécia, não só seria uma ajuda para os primeiros tempos. Como é sempre agradável ter alguém conhecido numa terra distante. Fomos então para a praia, muito soalheira por sinal, e muito parecida com a Caparica junto à zona da praia do barbas. Excepto que a praia era mais ampla e bonita. Estavam uma ondas porreiras e fomos fazer surf. A minha Namorada já tinha ido à vida dela, na Suécia, o que quer que isso seja.
Nisto deflagra um fogo num apartamento dos prédios junto à praia. Ficámos a olhar e a observar o ritmo dos acontecimentos. Já estava maré vazia e havia muita gente a passear na areia ainda molhada e lisa. Olho para a direcção do mar e passa um insuflável de um pinto amarelo gigante a rebolar na areia sob a força do vento. Agarrei o pássaro insuflável, e como é óbvio tive de ir para dentro de água surfar umas ondas montando no bicho. Foi um fim de tarde bastante agradável, na Suécia.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O verdadeiro fantasma da ópera

Hoje descobri quem é o verdadeiro fantasma da ópera.

Estávamos em Hollywood, dia soalheiro, árvores na colina ao fundo, casas viradas para o mar, boa arquitectura. O cenário de filme. Provavelmente estava lá de férias. Estava com a minha namorada e uma amiga dela.
Essa amiga por várias vezes apontou para o vazio e disse "Olha o fantasma da ópera!". Como não víamos nada atribuímos essas visões àquilo que ela estava a fumar. Por várias vezes ela apontou com o seu ar demente e algo tontinho para algo. Continuámos obviamente a visitar o sítio.
Quando chegou a noite fomos ao teatro. Cortinas avermelhadas, puxadores dourados, passadeira vermelha e pessoas bem vestidas. Aí sim: "olha o fantasma da ópera!" e era mesmo, estava lá na recepção do teatro a olhar fixamente para nós, mas sem a máscara. E eis que se descobre a face por baixo da máscara: O fantasma da ópera era o Johnny Depp.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Benefícios Fiscais


Ora hoje comprei uma casa. Um casa bonita, amarelo clarinho, com ornamentos de pedra branca, laje de cor clara. Um pequenino terreno nas traseiras de onde dá para avistar perfeitamente todo o esplendor da casa.
A casa fica numa localidade afastada com pouca coisa à volta. Nesta terrinha existe uma igreja, tal como em todas as terrinhas. Fui falar com o Padre da localidade e ele esteve a contar-me como é que ele tinha ganho algum com a declaração de IRS da Igreja. No adro da Igreja existe um pequenino lago com peixes daqueles cor de laranja que não servem para nada. Peixes cor de laranja e verdete. Acontece que o Sr. Padre declarou aquilo como sendo uma piscina. E como tal teve direito a benefícios fiscais e recebeu algum.
Um dos meus colegas de trabalho vive nas redondezas, na casa dos pais dele. E convidou-me, como bom vizinho que é, a ir conhecer a casa dele. Lá fomos. Entrámos directamente para a sala de estar dele, onde havia playstation e Tv e música. Típico quarto de indivíduo que vive com os pais. Então quando eu saí pela porta que dá acesso ao hall da casa é que percebi que não se tratava de uma casa qualquer. Era um grande hall... tipo Hollywood mansion. Digna de aparecer no Cribs.
Olhei em volta para absorver toda a categoria. Reparei que os pais dele tinha os seus negócios ali sediados. A mãe tinha um centro de estética - cabeleireiro, manicura, massagem,... e outras coisas que as mulheres fazem. Ficava situado no grande Hall da casa, um pouco abaixo do piso onde eu estava. Estavam mulheres morenas a arranjar o cabelo e algumas as unhas. A senhora que lhes arranjava o cabelo era loira.
Continuei a olhar em volta, e notei que atrás de mim, ainda havia outro piso para cima. Aí estava o negócio do pai do meu colega. Chama-se SIVA, e era um negócio de pão. Não me parece que fosse uma típica padaria, pois tinha uma imagem de marca mais evoluída. Mas também não parecia muito profissional. Parecia o tipo de marketing saído do powerpoint do computador pessoal lá de casa. Tratava-se de um envidraçado que estava coberto de papel de parede com a imagem da empresa SIVA (a de pão).
Lá me fui embora. Saí para a rua e encontrei o pai do meu colega de trabalho encostado a um tanque de água, daqueles que se encontram nas vivendas das terras dos nossos pais. Era um tanque com cerca de 3 metros de comprimento por 2 metros de largura. E tinha cerca de 1,5 de altura. Estava todo rebocado com cimento. Trabalho muito caseiro e feito à pressa., inclusivamente se notava ainda alguns tijolos deixados pelo chão de erva rasa e gravilha. Tinha água, e estava limpa. Não se notava o verdete nem musgo no cimento. Ficava do lado direito de uma espécie de construção igualmente rebocada a cimento. Devia servir para guardar coisas dado o seu tamanho demasiado pequeno para servir de habitação. Meti conversa com o senhor. Quis fazer um brilharete e aconselhá-lo sobre os possíveis benefícios fiscais que ele podia obter com aquele tanque. Dei-lhe a mesma conversa que o Sr. Padre me tinha feito. Expliquei-lhe que se ele declarasse aquele tanque como uma piscina. Poderia obter benefícios fiscais e ainda ganhar qualquer coisa com isso. Porque não rentabilizar o tanque? Ele desconfiou um pouquinho, mas estava algo interessado, até se tinha levantado. E perguntou-me como é que deveria proceder no caso de haver uma inspecção. Eu disse-lhe "Amigo, desde que eles não venham medir os níveis de cloro... não conseguem perceber que isto não é uma piscina!!!"

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

De Marrocos até à Póvoa


Hoje à noite tive em Marrocos. Tava um belo tempo de praia, malta jovem na areia, malta jovem dentro de água. Peguei na minha prancha de surf e fui até à beira de água. A água era limpíssima, dava para ver o fundo. Mas o fundo não era nem de areia, nem de rocha, nem coral. Era de cimento, uma estrutura muito bem definida de cimento. Era como se existisse ali um triângulo de cimento gigante, deitado no fundo do mar, com a ponta a apontar para terra. Achei aquilo estranho, olhei em volta e do lado direito da praia havia rochas a formarem como que um pontão. Do meu lado esquerdo também havia rochas que entravam pelo mar a dentro. A água começou a ficar mais agitada, e a formarem ondas encrespadas. Dentro de água só havia malta a fazer bodyboard, mas eu entrei à mesma. Estava só de calções e a água não estava muito fria. O mar estava muito agitado e ainda tentei apanhar umas ondas. Mas estava insurfável.
Voltei para a areia. Havia pessoas na areia e em rochas. Deitadas a apanhar sol. Reparei que a praia era muito parecida com as praias pequenas da Ericeira. Olhei para a esquerda e vi a carrinha de um dos meus irmãos. Ele tinha estado na praia e ia voltar para casa. Fui lá ter para ver os meus sobrinhos e cumprimentá-los a todos. Perguntei à minha cunhada se ela estava melhor de saúde. Estava imenso calor dentro da carrinha. Despedi-me deles e fui para outro sítio.


Acordei a meio da noite, uma melga que nos entrava pelos ouvidos conseguiu acordar-nos aos dois. Tapei a cabeça com o lençol e adormeci de novo.

Estava de repente na Póvoa de St Adrião. Estava lá com a minha namorada numas ruas que ficam a norte da localidade. Eu ia ver um médico que atendia os pacientes em casa. Entrei para o prédio e subi no elevador de portas metalizadas. Como não queria estar à espera como as outras pessoas, decidi que entrar pela porta não era o melhor método, mas sim entrar pela varanda. Então demos a volta pelas escadas do prédio, saindo para o exterior e entrando depois pela varanda. Era a sala de estar, cheia de decoração de cores pastel, e um tapete avermelhado estilo marroquino que estava debaixo do piano de cauda preto. atravessei a sala com nervoso miudinho de ser apanhado. Fiquei tão nervoso que dei a volta, saí de novo pela varanda e saí do prédio a correr. Desci depois a rua num skate durante uns breves metros. Esperei pela minha namorada e continuámos a pé pela vila.

Acordei; dormi imenso e tenho os olhos inchados. Já não tive tanto frio como ontem.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Reunion


Estava em Loures (onde andei na escola secundária) , e já era tipo hora do anoitecer. Estava em frente a um antigo café que agora era uma farmácia. Estava com colegas de trabalho. Era como se fôssemos jantar todos juntos e estávamos a dirigir-nos para o local do jantar. Tínhamos acabado de chegar.
Quando entrei na farmácia, reparei que afinal não era uma farmácia. Era um café ou bar ou um design bastante peculiar para os standards portugueses. A maioria da área do bar era em madeira envernizada, e as mesas estavam colocadas em cubículos que entravam para dentro das paredes. Cabiam cerca de 4 ou 5 pessoas em cada mesa. E éramos bastantes. Eu fiquei sentado no chão, numa almofada. As almofadas era de cor bordeaux e com estilo antigo. Estavam lá vários colegas de trabalho, mas também vários colegas de escola com quem me cruzei ao longo dos anos. Mas apenas os mais fixes.
Estivemos no café largos minutos, a ter conversas de café, a rir e a contar histórias e a gozar connosco próprios no passado.
Depois fez-se tarde e fui pra casa, então apanhei o metro do Saldanha para ir para casa, e fui com o João "cabra-alta" no metro.
Acordei, estava frio. Ontem também. É melhor por um édredon.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Cabala Política


Este dava para Hollywood. Tudo começa bem em família. Toda a gente é feliz, bonita e tem dentes brancos e certinhos. Vivo numa casa de madeira, estilo pré-fabricado antigo. Na porta das traseiras há um envidraçado que dá para ver as escadas de madeiras que descem para o pequeno lago que existe nessa zona. Existem caniços e algum verdete nas margens do pequeno lago, e alguma sujidade natural à tona de água. Não é portanto uma piscina, é mais o tipo de sítio para onde se atiram pedras só para ver o "splash".
Em família, eu e o meu irmão mais velho (não o da realidade, mas sim um "inventado") estávamos a fazer competições para ver quem conseguia ir a correr pelo corredor no cimo das escadas e fazer o maior salto em comprimento possível aterrando na água do lago. Como em todas as brincadeiras em família, existe um quadro digital que regista o comprimento dos saltos com gráficos. E inclusivamente existe um recorde do mundo - que pertence ao meu irmão mais velho.
Eu dou um salto verdadeiramente enorme, e aterro dentro de água no meio do reboliço de espuma branca e turbilhão de ondas. Fico algum tempo debaixo de água. Bastante tempo. Nesse período o meu irmão que observa na zona dos caniços a minha prova teme que eu lhe retire o recorde; O salto foi fabuloso. Quando venho à tona, no gráfico marca 57. O Recorde é 60. (não faço ideia de que unidades estamos a falar... mas falamos de comprimento). Como é óbvio ele faz um "yess" para celebrar o facto de ter mantido o recorde.
Eram momentos fantásticos em família. Até que o meu irmão decidiu se candidatar à presidência. Ele tinha uma carreira política que se encontrava em fase de eleições para o mais alto cargo político do país. Eu, em paralelo, estava a candidatar-me à presidência da junta de freguesia da localidade.
Eis que pelo meu charme e carisma, enquanto político de autarquia local. Os vilões, ao serviço de não se sabe quem, decidem que eu era um alvo a abater. Claramente o meu carisma não estava de feições para alguém poderoso. Possivelmente isto até estaria relacionado com a candidatura do meu irmão.
Começa uma fuga hollywoodesca em que eu tenho de saltar, várias vezes, pelo vidro da janela das traseiras da casa, e aterra de cabeça na água do lago. E com esse truque de circo consigo sempre fugir aos tipos vestidos de pretos que andam a tentar dar cabo de mim.
Algures durante a fuga andei escondido em jardins de rua, atrás de sebes na Póvoa St. Adrião. A vê-los passar em jipes e motos, à procura de mim. Andei foragido durante algum tempo, saltei mais uma vez para o lago enquanto fugia.
Acordei com o despertador, frio e destapado. Dei um pontapé na miúda do lado (para desligar o despertador) e voltei a dormir.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Vintage III



Um dos actos que desde sempre me lembro de ocorrer em sonhos é voar.
E não é coisa que apareça assim do nada. Na casa dos meus pais havia um pequenito quintal onde eu fazia a maior parte das minhas brincadeiras ou experiências que precisavam de ar livre, seja por necessidade de altura para testar foguetes ou aviões ou coisas afins; seja por necessidade de explodir qualquer coisa que por "razões de segurança" não se devia fazer em casa (muito menos quando a mãe está por perto). E foi precisamente nesse local em que tive o primeiro sonho em que voava.
Eu estava no quintal e reparei que se fizesse os movimentos da braçada crawl ganhava algum poder de levitação. Aquilo não foi imediato. Requereu algum treino a baixa altitude, para ganhar equilíbrio. Mas passado um bocado já estava a aventurar-me à altura dos prédios. Dos prédios passei para mais alto, e algum tempo depois já andava nas nuvens.

Curiosamente nos sonhos seguintes, uma vez que a aprendizagem de voo já estava concluída, já consegui voar perfeitamente. E durante esses sonhos seguintes tinha consciência que já sabia voar e que já o tinha aprendido em sonhos anteriores.

Passados alguns anos voltei a ter séries de sonhos com voos. Lembro-me que nesses sonhos já estava com falta de prática. Lembro-me de me mandar de um prédio alto para "forçar" a técnica a voltar. A técnica não voltou. Pânico. Recordo-me que vinha em queda livre a ver o chão a aproximar-se muito depressa, e lembro-me de pensar "Já foste...." e de seguida bater no chão com muita velocidade. Para meu espanto, o chão, era feito de gelatina. Assim não me magoei. O que teria sido aborrecido, mesmo para um sonho. No entanto a gelatina não tinha elasticidade suficiente para aguentar a velocidade que eu tinha. A gelatina rompeu e eu passei para baixo - o inferno. E foi assim que eu sonhei que tinha ido parar ao Inferno. Mas depois voltei cá acima e correu tudo bem, andei a dar mais pulos de prédios.

Um outro sonho que envolve voos e que, já mais recente, recordo com humor.
Eu andava a tomar conta de um dos meus sobrinhos. O meu irmão (pai do miúdo) tinha ido trabalhar. Estava em casa dos meus pais. E decidi ir brincar com ele lá para fora, e porque não estragar o puto com brincadeiras não permitidas à frente do pai? Então fomos dar uma volta, a voar. Ali a baixa altitude, por razões de segurança. Eis que ele, como era pequeno, me escapa dos braços e estatela-se no chão. E assim que ele embate no chão transforma-se muito rapidamente numa caixa de fósforos pequena. Eu pego nele na palma da mão e reconheço que isto era um problema que eu não sabia resolver. Uma alhada.
O sonho terminou comigo a questionar-me "Como é que vou explicar ao meu irmão, que o filho dele agora é uma caixa de fósforos!?"

Vintage II

Curiosamente muitos dos meus sonhos são a fugir de algo, e o primeiro destes que me consigo lembrar remonta ao século passado, quando eu ainda tinha dentes de leite.

Lembro-me perfeitamente de fugir loucamente de um lobisobem. Ele queria morder-me ou limpar-me o sebo. E eu corria pelo mato a fora. Lembro-me vagamente que a questão resolvia-se quando eu entrava para dentro da casca de uma árvore e ele deixa de me ver.

Este sonho acontecia muitas vezes, e por vezes bastava subir para cima da árvore velha e oca que ficava no cimo de um monte.

Uma das variações é que já não era apenas um lobisomem a perseguir-me, mas sim uma matilha de lobos que muito bem organizados numa filinha corriam atrás de mim pelo mato a fora. Como de costume depois eu subia para cima da árvore no cimo do monte.


Vintage I


Este é o sonho mais antigo que me lembro. Devia ter entre 5 a 6 anos de idade.
Na altura todos os meus irmãos viviam lá em casa. Éramos 5 rapazes cujas idades oscilavam entre os 5 e os 24, sendo eu portanto mais novo. Tínhamos um quarto com dois beliches onde dormíamos 4, eu dormia num deles, na cama de baixo. Isto serve apenas para dar o contexto do sonho.

No sonho, que na altura foi muito recorrente: eu acordava a meio da noite na minha cama. Olhava em volta e estava tudo escuro. Da minha cama eu via que os meus irmão do beliche oposto estavam deitados na cama. Eu olhava para a colecção de latas de bebidas que o meu irmão mais velho tinha por cima da janela, para os posters de Dire Straits e outros tipos de desenhos afixados na parede. Quando subia para a cama de cima do beliche para acordar o meu irmão mais velho, deparava-me não com o meu irmão na sua forma humana, mas sim num gorila enorme. O Gorila (o meu irmão), olhava para mim e em todo o seu esplendor animal desatava a fazer-me cócegas. Ora eu enquanto puto cheio de cócegas, sofria horríveis torturas de cócegas às mãos dele. A história durava uns quantos segundos até que eu me libertava e voltava para o chão do quarto. Os restantes irmãos continuavam a dormir. Tudo dentro da normalidade. Menos eu que tinha ficado um bocado arreliado com a brincadeira.

Uma vez que ali no quarto ninguém ia ligar nenhuma ao facto de eu andar acordado a meio da noite decidi alargar a exploração nocturna para o corredor. Estava escuro, mal se viam os móveis da entrada ou os quadros na parede. Achei por bem continuar até ao quarto dos meus pais que ficava ao fundo do corredor. A porta estava aberta, eu espreito lá para dentro e vejo que a cama está feita, a colcha branca com flores rosa bordadas continua lisinha. Os meus pais não estão lá, mas eu entro à mesma. Junto à janela do quarto está uma aranha gigante, com cerca de 50 cm de largura, olhos grandes e verdes (tipo mosca varejeira). A aranha reconhece-me como um belo petisco, e eu reconheço que estou em problemas e dou meia volta para fugir do quarto.

Ao tentar fugir do quarto corro em direcção a uma teia de aranha que está agora à porta do quarto. Fico lá preso e não me consigo mexer. Fico sem forças. Pânico. No entanto vejo que um dos meus irmãos, aquele que tipicamente se levantava mais cedo lá em casa para ir correr, está a passar no corredor em direcção à sala. E eu penso "estou safo, vou chamá-lo": o meu cérebro grita "Quiiiiim" (o nome dele), mas não me sai nada pela voz, só ar, sem som. Ele passa e eu fico à mesma preso na teia da aranha-varejeira. Quando a situação claramente parece perdida, eu acordo. Mas desta vez acordo mesmo, já é de dia e cheira a torradas.

Mais Zombies


Zombies e vilões

Este é um tema recorrente. A maior parte das vezes que acordo, é estafado. Podia ser um motivo de orgulho masculino enorme, mas a verdade é que passo as noites a fugir de pessoas más, ou pessoas mortas que gostam de comer as vivas.

Esta noite não foi excepção. A cidade estava em ruínas, e andavam zombies em grupos por toda a parte. Eram zombies ou talvez malta infectada com um vírus (tipo Resident Evil), era de noite e eles moviam-se em grupos quase organizados. Tinham algum tipo de inteligência animal pois conseguiam perseguir-nos. Nós: estávamos em grupo e era todos sãos e cheios de medo de sermos apanhados. Andávamos a correr pelos destroços que estavam pelas ruas. Portanto o caos já devia durar há algum tempo.
A determinado momento chegámos ao portão daquilo que parecia ser uma casa palacial muito ao estilo do século XVIII ou XIX. O jardim da frente estava todo raso e iluminado por focos de luz que nasciam do chão. Eu entrei pelo portão que estava aberto. Quando estava quase pisar a zona térrea do jardim alguém me alertou para não o fazer. Uma mulher puxou-me pelo braço e apontou para as sementes de lentilhas que estavam no chão e formas circulares e hexagonais. Claramente que estavam ali a demarcar o sítio das minas anti-pessoais.
Contornámos o jardim térreo junto às paredes de pedra branca e lisa do palácio. Estávamos do lado direito. Quando chegámos às traseiras vimos uma entrada em forma de túnel amplo. Estava bem iluminada. Vimos ao longe sombras de pessoas que estavam fardadas com roupa pombalina e cabeleiras da época pombalina. Aproximaram-se e vimos que se tratava de um grupo organizado de pessoas sãs ainda não afectadas pela epidemia. Um dos homens que falou era alguém que assumia uma posição de liderança. Tinha roupa azul escura debruada a fios dourados, tipo farda militar de gala. Já não tinha a peruca nesta altura, tinha o cabelo rapado à mostra.
A conversa foi em moldes de auxílio. Mas tratava-se de um auxílio selectivo. Do nosso grupo só aceitariam pessoas com capacidades comprovadas e alguma notoriedade. O objectivo era fazer uma selecção dos melhores, de modo a construir uma comunidade organizada constituída selectivamente.
Um dos membros do nosso grupo prontificou-se a declarar que era um reconhecido herói neo-zelandês. Tinha sido reconhecido pelo governo dele como tal após actos heróicos ao serviço da nação.
Apareceram ao longe sombras de zombies que nos tinham seguido até ao local. O perigo era iminente. O meu colega herói da nova Zelândia estava safo. E o meu pensamento foi "O que é que eu tenho de especial que possa ser útil à comunidade pombalina e que me safe dos sujeitos zombies que aí vêm?" Surgiram-me uma série de coisas à cabeça. Não tive tempo de as dizer. Acordei. Fiquei ainda acordado 10 minutos a pensar se me teriam aceite ou não.


Motivos


Quase todos os dias tenho sonhos esquisitos, e bastante recorrentes.
Aqui vai postar-se uma lista completa dos sonhos esquisitos, menos os impróprios em que sonho que faço parte do enredo do Call Girl - esses são bons e faz sentido que fiquem só para mim.

Desde puto pequeno que sonho sempre temas extremamente elaborados. Há uns que pela extremo detalhe ainda recordo passados 15 ou 20 anos. Esses hei-de os colocar aqui também; em breve. Outro são só estúpidos e também faz sentido que venham para aqui (não os leitores, os sonhos). Tornou-se portanto urgente manter um registo da anormalidade de coisas que me passam pela cabeça enquanto durmo e que tipicamente fazem com que acorde e diga "Hoje tive um sonho...".

João Francisco